Raphael

Raphael

Cidade do Vaticano – “A fé não é uma fuga dos problemas da vida, mas sustenta no caminho e lhe dá um sentido”: foi o que disse o Papa Francisco no Angelus deste domingo, XIX do Tempo Comum, no habitual encontro dominical no qual rezou, ao meio-dia, a oração mariana com fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração do Angelus, o Santo Padre destacou a página do Evangelho do dia (Mt 14,22-33), que descreve o episódio de Jesus que, após ter rezado toda a noite à margem do lago da Galileia, se dirige rumo à barca de seus discípulos, caminhado sobre as águas.

A barca encontra-se no meio do lago – observa o Pontífice – parada, sem poder avançar, impedida por um forte vento contrário. Quando veem Jesus caminhando sobre as águas, os discípulos confundem-no com um fantasma e se amedrontam.

Mas Ele os tranquiliza: “Coragem, sou eu, não tenhais medo”. Pedro, com seu típico ímpeto, lhe diz: “Senhor, se és tu mande que eu vá ao teu encontro sobre as águas”; e Jesus o chama “vem!”, prosseguiu Francisco descrevendo a cena narrada pelo evangelista.

Descendo da barca, Pedro caminha sobre as águas e vai ao encontro de Jesus, mas, sentindo o vento, fica com medo e começa a afundar. Então grita: “Senhor, salva-me!”, e Jesus lhe estende a mão e o assegura.

Esta narração do Evangelho contém um rico simbolismo, afirmou o Papa, “e nos faz refletir sobre a nossa fé, quer como indivíduos, quer como comunidade eclesial, também a nossa fé de todos nós que estamos aqui, hoje, na Praça”, frisou. A comunidade, esta comunidade eclesial, tem fé? Como é a fé de cada um de nós e a fé da nossa comunidade? – perguntou Francisco.

“A barca é a vida de cada um de nós, mas é também a vida da Igreja; o vento contrário representa as dificuldades e as provações. A invocação de Pedro: ‘Senhor, manda que eu vá ao teu encontro!’ e o seu grito: ‘Senhor, salva-me!’ se assemelham muito ao nosso desejo de sentir a proximidade do Senhor, mas também o medo e a angústia que acompanham os momentos mais duros da nossa vida e das nossas comunidades, marcadas pela fragilidades internas e pelas dificuldades externas.”

Não foi suficiente para Pedro, naquele momento, a palavra segura de Jesus, que era como a corda lançada à qual agarra-se para enfrentar as águas hostis e agitadas.
“É aquilo que pode acontecer também conosco. Quando não se agarra à palavra do Senhor, para ter mais segurança se consultam horóscopos e cartomantes, se começa a ir para o fundo. Significa que a fé não é tão forte”, observou o Santo Padre.

O Evangelho deste domingo nos recorda que “a fé no Senhor e na sua palavra não nos abre um caminho onde tudo é fácil e tranquilo; não nos poupa das tempestades da vida”, destacou.

“A fé nos dá a segurança de uma Presença, a presença de Jesus que nos impele a superar os vendavais existenciais, a certeza de uma mão que nos agarra para ajudar-nos a enfrentar as dificuldades, indicando-nos o caminho inclusive quando é escuro. A fé, em suma, não é uma fuga dos problemas da vida, mas sustenta no caminho e lhe dá um sentido”, frisou o Papa.

Esse episódio é uma imagem estupenda da realidade da Igreja de todos os tempos: uma barca que, ao longo da travessia, deve enfrentar também ventos contrários e tempestades, que ameaçam devastá-la, acrescentou.

“O que salva não são a coragem e a qualidade de seus homens: a garantia contra o naufrágio é a fé em Cristo e na sua palavra. Essa é a garantia: a fé em Jesus e na sua palavra. Nessa barca estamos seguros, apesar das nossas misérias e fraquezas, sobretudo quando nos colocamos de joelhos e adoramos o Senhor, como os discípulos que, no final, ‘se prostraram diante d’Ele, dizendo: ‘Verdadeiramente tu és o Filho de Deus!’

Que belo dizer essa palavra a Jesus, disse o Papa Francisco convidando os presentes a repeti-la. “Que a Virgem Maria nos ajude a continuar firmes na fé para resistir aos vendavais da vida, a permanecer na barca da Igreja evitando a tentação de subir nos barcos fascinantes, mas inseguros da ideologias, das modas e dos slogans.”

Sexta, 11 Agosto 2017 16:40

DIA DOS PAIS

DEUS É PAI

Pai Nosso que estás nos céus (Mt 6, 9).

Jesus nos ensinou a chamar Deus de Pai! Que experiência única, profunda e cheia de consolo... Deus é o Pai Amado de cada pessoa chamada à participar da extraordinária jornada da vida! E os pais, na vida de cada um de nós expressam essa acolhida e esse amor de Deus para os filhos (as)!

Pais são histórias que atravessam anos. Encarnam valores tais como confiança, força, liderança, sustento, objetividade, proteção. Pais são ideais transformados em projeto de vida, são cuidadores da mulher e dos filhos, do biológico ao espiritual, do afetivo ao material estão ali. Têm um papel determinado na família e na sociedade. Pais são aqueles com quem primeiro brincamos na infância, com quem fizemos o dever de casa; eles repassaram segredos, disseram verdades, repreenderam com o olhar, e fizeram deles os nossos objetivos.

Pais são discretos, hábeis e ousados. Antecipam nossas intenções e guardam bugigangas úteis. Têm tino comercial e compreensão rápida. Buscam incansavelmente o bem dos filhos. Pais entendem os filhos em seus mundos; alegram-se e apoiam tudo o que de bom acontecem aos filhos, e trazem ideias para facilitar caminhos. Pais amam as mães. Pais deixam fluir coisas positivas, dão ânimo, mesmo nas dificuldades. Pais são necessários demais para moldar em nós o melhor de nós!

 

FELIZ DIA DOS PAIS!

Frei Paulo Sérgio de Souza, ofm

Paróquia Santo Antônio

Sexta, 11 Agosto 2017 16:27

Aprendizado

“Uma vida fácil nada nos ensina. No fim, é o aprendizado que importa: o que aprendemos e como nos desenvolvemos” (Richard Bach).

Traçamos nossas vidas pelo poder de nossas escolhas. Quando nossas escolhas são feitas passivamente, quando não somos nós mesmos que traçamos nossas vidas, nos sentimos frustrados. Daí, em alguns momentos, vêm sentimentos ruins e negativos de uma existência vazia e sem sentido. É preciso fazer as escolhas de maneira consciente, com muita reflexão e oração também.

Costumo dizer que nós fazemos as escolhas e elas também nos fazem. Toda dificuldade do caminho estão lá para nos fortalecer, para nos ensinar lições. É necessário aprender as lições do caminho, recomeçar se necessário for, sem perder o sonho, sem perder a esperança. Aprender sempre e desenvolver os dons e as aptidões nos fazem heróis incansáveis...

Tenha um excelente fim de semana!

Frei Paulo Sérgio, ofm

Quinta, 10 Agosto 2017 08:10

Especial Santa Clara

“Bendito sejais Vós, Senhor, que me criastes!”

Caríssimos irmãos e irmãs,

Que o Senhor vos dê a paz e todo o bem!

Por ocasião da Festa de Santa Clara de Assis,  expresso nossos votos de boas festas e nossa comunhão fraterna a todas as pessoas que se encantam com o carisma franciscano, especialmente  nossas Irmãs Clarissas. Que Santa Clara de Assis nos inspire a viver na gratuidade o dom da vida e nos oriente na missão de bem “cuidar de tudo o que existe” na criação (LS 11)!

A Legenda de Santa Clara, quando relata o trânsito final da “Plantinha do Seráfico Pai Francisco” (TestC 37), com refinada delicadeza, apresenta um diálogo entre Clara, a “sua alma bendita”, e “o Rei da glória”, que ela “está vendo”. As Irmãs, que naquele momento estavam presentes e dela cuidavam na fragilidade física, assim testemunharam no Processo de Canonização quando ouviram um murmúrio místico no qual ela dizia a si mesma: “Vai segura, que você tem uma boa escolta para o caminho. Vai, diz, porque aquele que a criou também a santificou; e, guardando-a sempre como uma mãe guarda o filho, amou-a com terno amor. Bendito sejais Vós, Senhor, que me criastes!” (cf. LSC n 46; PC 3,20; PC 11,3).

Em primeiro lugar, quero unir esta belíssima ação de graças, “Bendito sejais vós, Senhor, que me criastes”, às palavras iniciais do Testamento de Santa Clara: “Entre outros benefícios que temos recebido e ainda recebemos diariamente da generosidade do Pai de toda a misericórdia e pelos quais mais temos que agradecer ao glorioso Pai de Cristo, está a nossa vocação…” (TestC 2-3).

GRATIDÃO

Sem dúvida, entre esses “outros benefícios”, encontra-se a dádiva que Clara, dois dias antes da sua morte, sussurra à sua alma em forma de louvor e ação de graças: a gratidão ao Criador “que a criou”, ou seja, a ação de graças pelo seu chamado à vida. Diariamente, ela louva o Doador de todas as graças, da forma como se expressou na segunda Carta a Inês de Praga: “Agradeço ao Doador da graça, do qual cremos que procedem toda dádiva e todo dom perfeito” (2In 3), ciente de que ela e suas irmãs se fizeram “filhas e servas do Altíssimo Sumo Rei Pai celeste” (RSC VI,3). Portanto, se filhas do Altíssimo, também foram criadas à imagem e semelhança do Criador que se reflete no Espelho Jesus Cristo que, por sua vez, irradia a “bem-aventurada pobreza, a santa humildade e a inefável caridade” a ser contemplada “com a graça de Deus” (cf. 4In 18). Esta forma de vida necessita ser criada e renovada todos os dias: “Olhe para dentro desse espelho todos os dias, ó rainha, e espelhe nele, sem cessar, o seu rosto…” (4In 15), num caminho penitencial de transformação total para se chegar, pela contemplação, “à imagem da divindade” (3In 13). Portanto, o murmúrio consolador de Clara à sua alma adquire um sentido profundo nesta ‘hora’ existencial quando se prepara para acolher a irmã morte corporal. Assim, a vida não termina na morte porque ela já contempla o “Rei da glória” que assim a “criou e também a santificou”.

Em segundo lugar, desejo unir este santo colóquio de Clara com sua alma e o Rei da glória, “Bendito sejais vós, Senhor, que me criastes”, com o Cântico do Irmão Sol ou Louvores das Criaturas. Sabemos que este Cântico foi composto por São Francisco num momento existencial de crise e de sofrimento. O Pai Seráfico encontrava-se “numa pequena cela de esteiras em São Damião” (CA 83), bem próximo de Irmã Clara e Companheiras. Com o apoio de Frei Elias, ali Francisco se recolheu por cinquenta dias, pois estava muito “atormentado pela enfermidade dos olhos” e outras enfermidades. Certa noite, depois de passar por profundas tribulações, uma voz lhe disse: “Alegra-te e rejubila no meio de teus sofrimentos e tribulações: de hoje em diante vive em paz, como se já participasses do meu reino” (CA 83). No alvorecer do outro dia, dentro desse contexto, Francisco “compõe o Louvor do Senhor pelas criaturas de que nos servimos a cada dia, sem as quais não podemos viver e nas quais o gênero humano ofende o Criador…” (CA 83).

CLARA E O CÂNTICO DAS CRIATURAS

Francisco, no cantar a sacralidade da criação, harmonizando os elementos masculinos e femininos, canta o irmão sol e a irmã lua e as estrelas que “no céu formastes claras e preciosas e belas”; canta o irmão vento e a irmã água “que é mui útil e humilde e preciosa e casta”; canta o irmão fogo e a irmã “mãe terra que nos sustenta e governa e produz frutos com coloridas flores e ervas”. Assim, tão próximo às Irmãs de São Damião, onde viu “erguer-se a nobre estrutura de preciosíssima pérola” (1Cl 19), consciente ou não, Francisco integra no seu louvor às criaturas algumas virtudes que se refletiam na vida das damas pobres de São Damião. Entre essas, destaco a clara lua e estrelas, a virtude da humildade, a preciosidade da castidade e a fecundidade geradora de vida da Mãe-terra, não diferente da fecundidade espiritual que também gera vida na vida dessas mulheres consagradas no amor.

A aproximação do Cântico das Criaturas à vida de Santa Clara torna-se ainda mais evidente nas palavras de exortação de São Francisco, no texto intitulado “Audite Poverelle” (Ouvi Pobrezinhas). A Compilação de Assis nos recorda: “Depois que o bem-aventurado Francisco compôs os Louvores do Senhor pelas criaturas, compôs também algumas santas palavras com canto para maior consolação das damas pobres do Mosteiro de São Damião, mormente porque ele sabia que elas estavam muito atribuladas por sua enfermidade” (CA 84). E, assim, o Arauto do grande Rei cantou para Clara e suas Irmãs, da pequena cela, próxima a São Damião: “Ouvi, pobrezinhas, pelo Senhor chamadas, que de muitas partes e províncias sois congregadas: vivei sempre em verdade, para que em obediência morrais. Não olheis a vida exterior, pois aquela do espírito é melhor. Eu vos peço, com grande amor, que tenhais discrição a respeito das esmolas que vos dá o Senhor. Aquelas que estão atormentadas por enfermidades e outras que por elas sobrem fadigas, todas vós, suportai-as em paz, pois vendereis muito caro esta fadiga, visto que cada uma será rainha no céu, coroada com a Virgem Maria”.

Aquela que tinha dificuldade de suportar a claridade da luz e, quem sabe, de enxergar com os olhos do corpo a beleza da criação, depois de uma síntese interior purificada no sofrimento, convida as Irmãs do Mosteiro a contemplar e louvar o Criador com o ocular do espírito, diferente e melhor do que olhar da exterioridade de quem se apropria indevidamente dos bens do Criador.

SIMPLICIDADE

Em terceiro lugar, uno o louvor de Santa Clara, “Bendito sejais vós, Senhor, que me criastes”, à realidade da simplicidade da vida das pobres damas de São Damião. O recolhimento e o silêncio da clausura não as isolam da realidade da vida e da criação. Poderíamos indicar vários fatos e recolher muitos elementos da vida dessas servas de Cristo e analisar o quanto elas se integram na ótica franciscana acerca do cuidado da casa comum (Carta Encíclica Laudato Si’). Se Clara agradece a Deus pelo dom da sua criação, da mesma forma a vida de cada irmã é um dom de Deus. Por isso, ela entende que todas são chamadas a ser, por vocação, “modelo, exemplo e espelho” para restituir o “talento multiplicado” (cf. TestC 15-23).

Irmã Angelúcia, no Processo de Canonização, afirmou: “Quando a santíssima mãe enviava as Irmãs servidoras fora do mosteiro, exortava-as a que, vendo as árvores bonitas, floridas e frondosas, louvassem a Deus; e semelhantemente, quando vissem os homens e as outras criaturas, sempre louvassem a Deus por todas e em todas as coisas” (PC 14,9). Clara mergulha de cheio na concepção que Francisco tinha da vida e da criação, tão bem formulada no início da Encíclica Laudato Si’: A recordação de “que a nossa casa comum pode ser comparada ora a uma irmã, com quem compartilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe em seus braços” (LS 1).

Na Regra, ao orientar as Irmãs para uma forma de vida centrada na pobreza, Clara adverte a “não aceitar nem ter posse ou propriedade nem por si, nem por pessoa intermediária, e nem coisa alguma que possa com razão ser chamada de propriedade, exceto aquele tanto de terra requerido pela necessidade para o bem e o afastamento do mosteiro. E essa terra não será trabalhada a não ser para a horta e a necessidade delas” (RSC 6, 12-14). Esta concepção de pobreza contrasta com toda a tentação latifundiária de apropriação. E isso Clara repete outras vezes como podemos constatar no Testamento (Cf. TestCl 53), na carta a Inês de Praga quando fala da efemeridade dos “bens terrenos e transitórios” (2In 23) e, principalmente, quando pede à Igreja o Privilégio da Pobreza.

SINAIS SACRAMENTAIS

Também chamo atenção a três ‘sinais sacramentais’ do cotidiano da vida de São Damião (o pão, a água e o azeite) e que, a meu ver, são provocativos se pensarmos no consumismo destruidor do mundo de hoje. Quando Clara fala do exercício ascético do jejum, ela santifica os alimentos como um dom precioso da vida, manifestando-se misericordiosa e justa para com todas as necessidades das coirmãs (TestC 63-66). O pão mendigado (cf PC 3,13), o pão fatiado (PC 6, 16), o pão abençoado “como verdadeira filha da obediência” (Fior 33) é também o pão dos “pobres que ela muito amava” (PC 1,3) e sinal de penitência (RSC 9,2). A irmã água humilde, preciosa e casta, é sacramentalmente usada por Clara para lavar os pés e as mãos das enfermas (PC 1,12). E segundo o relato das Irmãs no Processo de Canonização, com frequência a Mãe Clara repetia o gesto do lava-pés como presença feminina de serviço (Cf. PC 2,3; 3,9; 10,6). No lavar os pés, ela se santifica e, no deixar-se lavar os pés, a sua santidade santificou a água (PC 10,11). A água, enfim, remete Clara à Cruz redentora e ao mistério pascal para recordar diariamente “a água bendita que saiu do lado direito de nosso Senhor Jesus Cristo pendente na cruz” (PC 14,8). Também o azeite faz parte do cotidiano da vida das Irmãs de São Damião. Quando este faltava, a providência divina não as deixava no desamparo (LSC 16).

Enfim, a sobriedade e a austeridade da vida no Mosteiro de São Damião, tanto no comer, como no vestir e no uso do dinheiro, é provocação e chamada de atenção ao nosso modo de viver, muitas vezes inflado pelo supérfluo, ostentado pelo luxo, negligenciado pelo desperdício, empedernido pelo capital e pelo uso do dinheiro. Essas condutas humanas, tão distantes de Santa Clara e de São Francisco de Assis, não deixam de ser um atentado ao Senhor da vida presente na vida dos pobres e uma agressão à “nossa terra oprimida e devastada, que está gemendo como que em dores de parto” (LS 2).

Que a bênção de Santa Clara chegue a todos nós: “O Senhor esteja sempre com vocês e oxalá estejam vocês também sempre com Ele! Amém”.

Quarta, 09 Agosto 2017 09:37

Prudência

“Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo” (Oscar Wilde).

É preciso cuidar melhor da palavra, pois ela deve ser sempre ação criadora e criativa. A palavra dita não volta atrás: ela tem o poder de erguer ou de derrubar! Daí a necessidade de refletir, de meditar, de aquecer as palavras no calor do coração... As palavras ben-ditas são poderosas, capazes de engendrar alegria, prazer, e dis-posição nos ouvidos que as captam...

Você não deve dizer às pessoas o que elas devem fazer, mas proporcionar que elas reflitam e sejam capazes de decidir, por elas mesmas, os melhores caminhos e as soluções... Quando você se coloca no papel de escutar, você se torna espaço de acolhida... Você pode devolver pistas, possibilidades e abertura para melhor decisão da pessoa que busca caminhos...

Abraços terapêuticos,

Frei Paulo Sérgio, ofm

Participe conosco do Tríduo em honra a Santa Clara, que como São Francisco despojou-se de tudo para abraçar o Cristo e a Pobreza. Clara é expressão feminina do carisma Franciscano.  

 

1º Dia - 08/08(terça-feira) às 19hs (matriz) - Frei Paulo

Tema: Santa Clara, serva da Pobreza

 

2º Dia - 09/08(quarta-feira)  às 19hs (capela) Frei Renildo

Tema: Santa Clara, seguidora de Cristo

 

3º Dia - 10/08(quinta-feira)  às 19h (capela) - Frei Paulo

Tema: Santa Clara, exemplo a seguir.

 

Segunda, 07 Agosto 2017 08:04

Compaixão

“Quando você tem sua mente umedecida com amor, você pode começar a meditar sobre a compaixão” (Dalai Lama).

A verdadeira compaixão não consiste em sofrer pelo outro, mas em sofrer com-o-outro. Significa entrar na pele daquela pessoa que sofre para com-partilhar com ela, ser-um-com-ela naquele momento. Se ajudamos uma pessoa que sofre e nos deixamos invadir por seu sofrimento, é que somos ineficazes e estamos tão somente reforçando nosso ego...

Quanto mais nos importamos com a felicidade de nossos semelhantes, maior o nosso próprio bem-estar. Ao cultivarmos um sentimento profundo e carinhoso pelos outros, passamos automaticamente para um estado de serenidade. É o prazer de sentir amor e alegria com o crescimento e a evolução das pessoas... A felicidade verdadeira é sempre compartilhada e nunca um estado de egoísmo e solidão...

Tenha uma abençoada e produtiva semana!

Frei Paulo Sérgio, ofm

Quarta, 02 Agosto 2017 15:15

Paciência

“Se você é paciente em um momento de raiva, você evitará cem dias de sofrimento” (Provérbio Chinês).

Paciência e perseverança tem o efeito mágico de fazer as dificuldades desaparecerem e os obstáculos sumirem. Na pa-ciência está a ciência de esperar, de vivenciar o tempo da espera, de acolher a enfermidade e sair mais fortalecido... A paciência é a única solução para os males que não têm solução.

A paciência é uma das características do "ser educado e humanizado". Saber agir com paciência significa não agir com pressa, ser atento e cuidadoso com o que se está fazendo; saber ouvir, ver, sentir e falar com parcimônia. A paciência é uma virtude que deve ser cultivada ao longo de toda a vida: é o estar totalmente entregue ao momento, sem a necessidade de controlar...

Abraços terapêuticos,

Frei Paulo Sérgio, ofm

Quarta, 02 Agosto 2017 08:29

Nossa Senhora dos Anjos -Porciúncula

Dedicação da basílica patriarcal. Indulgência plenária do Perdão de Assis.

Pelo singular amor que consagrava à Bem-aventurada Virgem Maria, São Francisco de Assis teve sempre particular cuidado por uma capelinha dedicada a Santa Maria dos Anjos, também chamada da Porciúncula. Foi aí que fundou a I Ordem, dos Frades Menores, e colaborou na fundação da II Ordem acolhendo Santa Clara; e aí também recebeu os irmãos e irmãs que de toda a parte acorriam para se inscrevem na III Ordem da penitência; aí, finalmente, completou a carreira da sua vida santa. Foi o berço de toda a vida e expansão franciscana.

Para essa capela o santo fundador obteve do papa Honório III a célebre indulgência também chamada do Perdão de Assis, que outros Pontífices posteriores confirmaram e estenderam a numerosas outras igrejas. Por essas gloriosas recordações celebra a Ordem Franciscana a festa de Santa Maria dos Anjos.

A lenda relativa ao acontecimento diz que uma noite, em fins de julho de 1216, o santo Pobrezinho se encontrava nessa capela absorto em oração pelos pecadores. Quando de repente uma brilhante luz iluminou o pequeno recinto e sobre o altar apareceram Jesus e Maria entre um coro de anjos. E o próprio Jesus se dirigiu a Francisco nestes termos: “Uma vez que tanto tens rezado pelos pecadores, venho propor-te que me peças em favor deles a graça que melhor te pareça”. Entre lágrimas de felicidade, respondeu Francisco: “Senhor, eu não passo também dum pobre pecador. Mas mesmo assim te peço, Senhor, que a todos os que vierem visitar esta igreja e se sintam arrependidos e tenham confessado os seus pecados, lhes concedas o perdão de todas as culpas”. Jesus sorriu, e também Maria. Então Francisco dirigiu-se também a ela, dizendo: “Senhora, advogada do gênero humano, peço-te que obtenhas do teu divino Filho esta grande graça”. A Virgem Maria falou então ao Filho, e este disse a Francisco: “Irmão Francisco, é realmente grande a graça que pedes, mas és digno dela e doutras ainda maiores. Por isso aceito o teu pedido, com a condição de ires ter com o meu Vigário na terra e lhe pedires da minha parte essa indulgência”. O Sumo Pontífice não teve relutância em secundar os desejos de Jesus, e por três vezes lhe repetiu a concessão. Francisco comunicou a grande indulgência do Perdão à multidão imensa que a 2 de Agosto de 1216 se reuniu em Santa Maria dos Anjos, começando por aquelas memoráveis palavras: “Quero enviar-vos a todos para o céu!”.

Com frequência o Santo repetia aos irmãos: “Fazei todo o possível por nunca abandonardes este local. Se vos fizerem sair por uma parte, entrai por outra. Este lugar é verdadeiramente santo. Aqui o Senhor nos fez nascer e crescer, e aqui iluminou os corações dos pobres com a luz da sua divina sabedoria”.

Terça, 01 Agosto 2017 13:39

Indecisão

“Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa” (Adriana Falcão).

Por mais difícil que seja, uma decisão é sempre necessária. A cada decisão tomada, novas possibilidades irão surgir. Você não pode alterar o que está destinado a acontecer a partir de uma decisão tomada, mas você sempre pode mudar a decisão. Voltar atrás a uma decisão tomada é uma das maiores virtudes, isso se chama humildade.

in-decisão causa sofrimento e angústia. E esse ‘aperto na alma’ impele-nos a optar, a escolher, a decidir... É importante perguntar ao coração, meditar e rezar para encontrar a melhor decisão, o melhor caminho. O Espírito Santo é o melhor conselheiro nos momentos de dúvidas. Lembre-se: você não pode mudar seu coração, mas pode mudar suas atitudes em relação a ele...

Tenha uma abençoada e produtiva semana. Que o mês de agosto seja pleno de vida nova!

Frei Paulo Sérgio, ofm