Raphael

Raphael

Segunda, 11 Setembro 2017 12:09

Liberte-se

“Quando te libertares do teu medo de fracassar, de sua necessidade de triunfar, poderá ser tu mesmo” (Anthony de Melo).

Para vencer a ansiedade em relação ao futuro, faz-se necessário aquietar a mente. Esta é ansiosa por excelência: quer controlar a vida, o pensamento, as nossas ações... É preciso momentos diários de meditação para aquietar a mente e desconstruir o pensamento acelerado. O medo cria uma paisagem muito difícil e acelera a mente para pensar todas as possibilidades que podem não dar certo!

Todos nós temos medo, porém o excesso de medo engendra a ansiedade e o pânico. Passamos a ser controlados pelo medo, perdemos a confiança em nós mesmos, des-confiamos da vida, das pessoas, da realidade e até de Deus! Aquiete sua mente, des-acelere seus pensamentos obsessivos e crie um momento diário de oração e meditação. Isso cura em nós o medo e a ansiedade!

Tenha uma ótima semana!

Frei Paulo Sérgio, ofm

 “Se de verdade queremos que haja paz no mundo, comecemos por nos amarmos uns aos outros no seio das nossas próprias famílias”, costumava dizer Santa Teresa de Calcutá, fundadora das Missionárias da Caridade, defensora da família e dos pobres e modelo de misericórdia, cuja memória é celebrada neste dia 5 de setembro.

Agnes Gonxha Bojaxhiu nasceu em 1910 em Skopje, que naquela época pertencia à Albânia, e hoje é da Macedônia. Despertou para sua vocação à vida religiosa quando era uma jovem de 18 anos e, atendendo ao chamado de Deus, forjou seu trajeto para a santidade, dedicando-se aos pobres e doentes.

Em 29 de setembro de 1928, ingressou na Casa Mãe das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, na Irlanda. Depois, foi enviada à Índia, a fim de iniciar seu noviciado. Fez sua profissão religiosa em 24 de maio de 1931, quando adotou o nome Teresa, em homenagem à carmelita francesa, Teresa de Lisieux, padroeira dos missionários.

Atuou como professora em Calcutá por 17 anos, com as filhas das famílias mais tradicionais da cidade. Até que, no dia 10 de setembro de 1946, viveu um fato marcante em sua história, o “Dia da Inspiração”. Em uma viagem de trem ao noviciado do Himalaia, deparou-se com um irmão pobre de rua que lhe disse: “Tenho sede!”. Desde então, teve a certeza de sua missão: dedicar sua vida aos mais pobres dos pobres, deixando o conforto do colégio da Congregação.

Em 1949, Madre Teresa começou a escrever as constituições das Missionárias da Caridade e, no dia 7 de outubro de 1950, a congregação foi aprovada pela Santa Sé, expandindo-se por toda a Índia e pelo mundo inteiro.

Pequena em estatura, magra e encurvada, Madre Teresa surpreendeu o mundo com o seu amor, humildade, simplicidade e entrega total pelos doentes. Com sua atuação, ensinou que a maior pobreza não estava nos subúrbios de Calcutá, mas nos países “ricos” quando falta o amor ou nas sociedades que permitem o aborto.

“Para mim, as nações que legalizaram o aborto são as nações mais pobres, têm medo de uma criança não nascida e a criança tem que morrer”, disse.

Neste sentido, estava convencida da importância do fortalecimento das famílias para alcançar um mundo de paz.

“Em todo mundo se comprova uma angústia terrível, uma espantosa fome de amor. Levemos, portanto, a oração para as nossas famílias, levemos a oração para as nossas crianças, ensinemos-lhes a rezar. Pois uma criança que ora, é uma criança feliz. Família que reza é uma família unida”, enfatizou a Santa.

Em 1979 foi homenageada com o Prêmio Nobel da Paz. Entretanto, isso não a encheu de vanglória, mas buscou levar as almas a Deus. Tal como o recordou São João Paulo II durante a beatificação de Madre Teresa em 19 de outubro de 2003.

“Satisfazer a sede que Jesus tem de amor e de almas, em união com Maria, Sua Mãe, tinha-se tornado a única finalidade da existência de Madre Teresa, e a força interior que a fazia superar-se a si mesma e ‘ir depressa’ de uma parte a outra do mundo, a fim de se comprometer pela salvação e santificação dos mais pobres”, ressaltou.

Por outro lado, em uma entrevista à revista brasileira missionária “Sem Fronteiras” (1997) perguntaram-lhe sobre a mensagem que gostaria de nos deixar e ela respondeu:

“Amem-se uns aos outros, como Jesus ama a cada um de vocês. Não tenho nada que acrescentar à mensagem que Jesus nos transmitiu. Para poder amar, é preciso ter um coração puro e é preciso rezar. O fruto da oração é o aprofundamento da fé. O fruto da fé é o amor. E o fruto do amor é o serviço ao próximo. Isso nos conduz à paz”.

Terça, 05 Setembro 2017 07:51

Estações

“Lembre-se: quando o outono derruba uma flor a primavera coloca outra no lugar” (Desconhecido).

O inverno, com seu frio e ventos secos vai levando tudo aquilo que não precisa mais ficar... Coloca a natureza em recolhimento, castiga as plantas com seu clima árido e impiedoso. Enquanto isso, os ipês florem, numa ação que contraria todas as expectativas e perspectivas... É uma verdadeira ressurreição no meio da morte!

E essa ressurreição antecipada dos ipês nos convida também a nos despir das folhas, recolher-nos na simplicidade, varrer para longe de nós a vaidade... É nessa quaresma da vida que preparamos a ressurreição da natureza e da vida... E os ipês antecipam a ressurreição! Onde tudo parece morrer, onde tudo parece solidão e desolação eles estão lá: acenando para a vitória e para a vida que vence a morte!

Tenha uma abençoada semana!

Frei Paulo Sérgio, ofm

Segunda, 04 Setembro 2017 08:26

ESCALA DE MISSAS - SETEMBRO

Prezados!!!!

Segue Escala de Missas do Mês de Setembro.

 

Sexta, 01 Setembro 2017 09:20

Bem vindo Setembro!

“Quando entrar setembro/ e a boa nova andar nos campos/ quero ver brotar o perdão/ onde a gente plantou...” (Beto Guedes).

Eis que um novo tempo surge diante de nós! É preciso acolhê-lo com intensidade e poder, permitir que ele nos transforme, que haja mudanças em nossos canteiros, que a semeadura aconteça no chão molhado pelas chuvas que vão cair dos céus... Diante do novo que chega é preciso fazer morrer aquilo que já não precisa mais acontecer dentro de nós!

Assim como a terra clama pela chegada das chuvas, precisamos clamar também para que as chuvas venham nos lavar, molhar o chão de nossos corações. Que a primavera aconteça dentro de cada um de nós. Que haja tempo para contemplar a Beleza, para compartilhar a vida e celebrar amizades... Que possamos alargar o espaço de nossas atendas para acolher o inesperado, os mensageiros que vêm em nome de Deus..

Feliz mês de setembro!

Frei Paulo Sérgio, ofm

Quarta, 30 Agosto 2017 16:21

Harmonia

“A oposição produz a concórdia. Da discórdia surge a mais bela harmonia” (Heráclito).

Enquanto não encerramos um capítulo, não podemos partir para o próximo. Por isso é tão importante deixar certas coisas irem embora, soltar, desprender-se... A vida não é um jogo de cartas marcadas... Ás vezes ganhamos, outras vezes perdemos... Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.

A vida é uma jornada, ela não leva a um destino exatamente, mas a uma transformação. A harmonia não é fruto de pensamentos iguais ou de notas musicais idênticas. Ela surge da oposição, dos pontos contrários, dos polos positivos e negativos. A harmonia não é definitiva, ela vai exigir outras eclosões, outras oposições... Dos contrários surge o equilíbrio e a harmonia...

Abraços terapêuticos,

Frei Paulo Sérgio, ofm

Cidade do Vaticano – “A memória da vocação reaviva a esperança”. Com este tema, o Papa Francisco voltou a realizar a Audiência Geral na Praça São Pedro, que esta quarta-feira teve a presença de sacerdotes do Colégio Pio Brasileiro e da equipe da Chapecoense, que na noite de sexta-feira disputará um amistoso no Estádio Olímpico contra o Roma. “Recordar-se de Jesus, do fogo de amor com o qual um dia concebemos a nossa vida como um projeto de bem e reavivar com esta chama a nossa esperança” é “uma dinâmica fundamental da vida cristã”.

O Papa Francisco concentrou sua catequese na relação entre memória e esperança e usou como exemplo o chamado dos primeiros discípulos de Jesus, uma experiência que ficou de tal forma impressa em suas memórias, que João, já idoso, chegou até mesmo a precisar a hora: “Eram cerca de 4 horas da tarde”. Após a frase pronunciada às margens do Jordão por João Batista – “Eis o Cordeiro de Deus” -, Jesus ganha dois novos jovens seguidores, a quem pergunta: “Que procurais?”.

“Jesus – observou o Papa – aparece nos Evangelhos como um especialista de coração humano. Naquele momento, havia encontrado dois jovens que estavam buscando, com uma saudável inquietude: “Com efeito, que juventude é uma juventude satisfeita sem uma busca de sentido? Os jovens que não buscam nada não são jovens, estão aposentados, envelheceram antes do tempo. É triste ver jovens aposentados. E Jesus, em todo o Evangelho, em todos os encontros que lhe acontecem ao longo do caminho, aparece como um ‘incendiário’ dos corações”.

Por isso, faz a pergunta ‘que procurais?’, justamente para “fazer emergir o desejo de vida e de felicidade que cada jovem traz dentro de si”. Então, Francisco pergunta aos jovens que estão na Praça São Pedro e aqueles que acompanham pela internet: “Você, que é jovem, o que procura? O que procura no teu coração?”

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JESUS TRANSFORMA NOSSAS VIDAS

E foi assim que começou a vocação de João e de André, dando início a uma amizade com Jesus tão forte, que criou uma comunhão de vida e de paixão com Ele. E esta convivência com Jesus, transformou-os em missionários, tanto que seus irmãos Simão e Tiago também passam a seguir Jesus. “Foi um encontro tão tocante, tão feliz, que os discípulos recordarão para sempre aquele dia que iluminou e orientou a juventude deles”, ressaltou o Papa.

Francisco disse que a própria vocação neste mundo pode ser descoberta de diferentes maneiras, “mas o primeiro indicador é a alegria do encontro com Jesus”: “Matrimônio, vida consagrada, sacerdócio, cada vocação verdadeira se inicia no encontro com Jesus, que nos dá alegria e esperança nova, e nos conduz, mesmo em meio às provações e dificuldades, a um encontro sempre mais pleno, maior: o encontro com Ele na plenitude da alegria”.

O Papa observou, então, que “o Senhor não quer homens e mulheres que o sigam de má vontade, sem ter no coração o vento da alegria”. E perguntou aos presentes: “Vocês, que estão na praça, têm o vento da alegria? Cada um se pergunte: Eu tenho entro de mim, no coração, o vento da alegria?”.

“Jesus quer pessoas que tenham experimentado que, estar com Ele, traz uma felicidade imensa, que pode ser renovada a cada dia da vida. Um discípulo do Reino de Deus que não é alegre, não evangeliza este mundo; é um triste. Nos tornamos pregadores de Jesus não aperfeiçoando as armas da retórica. De nada adianta falar, falar, falar, sendo um pregador de Jesus sem o brilho da verdadeira felicidade? Vemos tantos cristãos, também entre nós, que, com os olhos, transmitem a alegria da fé. Com os olhos!”, reforçou. Por isto o cristão – assim como o fez a Virgem Maria – deve proteger “a chama de seu enamoramento”: “Certamente, existem provações na vida, existem momentos em que é necessário seguir em frente não obstante o frio e os ventos contrários. Porém, os cristãos conhecem o caminho que conduz àquele fogo sagrado que acendeu a chama do enamoramento para sempre”.

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O Papa, por fim, alertou para não darmos atenção a quem nos tira o entusiasmo e a esperança, mas sonharmos com um mundo diferente e cultivarmos sãs utopias: “Mas, por favor, recomendo: não deem ouvidos às pessoas desiludidas e infelizes; não escutemos quem recomenda cinicamente não cultivar esperanças na vida; não confiemos em quem apaga cada entusiasmo que nasce dizendo que nenhuma decisão vale o sacrifício de toda uma vida; não escutemos ‘velhos’ de coração que sufocam a euforia juvenil. Procuremos os velhos que têm os olhos brilhantes de esperança! Cultivemos, pelo contrário, sãs utopias: Deus nos quer capazes de sonhar como Ele e, com Ele, enquanto caminhamos bem atentos à realidade. Sonhar um mundo diferente. E se um sonho se apaga, voltar a sonhá-lo de novo, indo com esperança à memória das origens, aquelas brasas que, talvez, depois de uma vida não tão boa, estão escondidas sob as cinzas do primeiro encontro com Jesus”.

Antes de saudar os peregrinos de língua italiana, o Papa Francisco fez um apelo pelo Dia de Oração pelo Cuidado da Criação: “Depois de amanhã, 1º de setembro, ocorre o “Dia de Oração pelo Cuidado da Criação”. Nesta ocasião, eu e meu querido irmão Bartolomeu, Patriarca ecumênico de Constantinopla, preparamos juntos uma Mensagem. Nela convidamos todos a assumir uma atitude respeitosa e responsável com a criação. Fazemos, além disto, um apelo àqueles que desempenham papéis influentes, para escutar o grito da terra e o grito dos pobres, que são os que mais sofrem pelos desequilíbrios ecológicos”.

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Segunda, 28 Agosto 2017 16:13

Ansiedade

“Paremos de indagar o que o futuro nos reserva e recebamos como um presente o que quer que nos traga o dia de hoje” (Heráclito).

A ansiedade é uma emoção normal do ser humano, comum ao se enfrentar algum problema no trabalho, antes de uma prova ou diante de decisões difíceis do dia a dia. No entanto, a ansiedade excessiva pode se tornar uma doença, ou melhor, um distúrbio de ansiedade. E é aí que mora o perigo!

E esse distúrbio de ansiedade cria a síndrome do pensamento acelerado e nos desconecta do hoje ou do momento atual. Faz-se necessário um trabalho de acalmar a mente através do exercício diário da meditação. É preciso uma conexão profunda com o hoje, com o aqui e agora para que possamos viver a VIDA com toda alegria e poder que ela nos traz...

Viva cada dia desta semana, acolhendo a vida e o tempo como um dom de Deus!

Frei Paulo Sérgio, ofm

A reforma litúrgica e o Concílio Vaticano II são dois eventos diretamente relacionados e dão respostas respeitando a tradição e o progresso legítimo, superando leituras parciais ou superficiais e tornando-se irreversível.

O disse o Papa Francisco nesta quinta-feira, na audiência que deu na Aula Paolo VI do Vaticano, aos participantes da 68ª Semana Litúrgica Nacional, no 70º aniversário da fundação do Centro de Ação Litúrgica.

O Concílio Vaticano II fez amadurecer “como bom fruto da árvore da Igreja, a Constituição sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium”, cujas linhas da reforma geral respondiam às necessidades reais e à concreta esperança de uma renovação, “para que os fiéis não assistam como estranhos e mudos espectadores a este mistério de fé, mas compreendendo-o por meio dos  ritos e das orações, participem da ação sagrada conscientemente, piamente e ativamente”. indicou

O Pontífice também lembrou que a liturgia é vida para todos os povos da Igreja e que “pela sua natureza é popular e não clerical”, sendo, como indica a etimologia, uma ação para as pessoas, mas também para o povo. “A ação das pessoas que escutam Deus, que fala e reage, louvando-o, invocando-o, acolhendo a fonte inesgotável de vida e misericórdia que flui dos santos sinais”.

“A Igreja em oração -indicou o sucessor de Pedro- acolhe todos aqueles que têm o coração na escuta do Evangelho, sem descartar ninguém: são convocados pequenos e grandes, ricos e pobres, crianças e idosos, saudáveis e doentes, justos e pecadores. À imagem da “multidão imensa” que celebra a liturgia no santário do céu, a assembleia litúrgica supera, em Cristo, todo limite de idade, raça, língua e nação”.

Sem esquecer que “a liturgia expressa a piedade de todo o povo de Deus, prolongado pelos piedosos exercícios e devoções que conhecemos com o nome de piedade popular”.

O Santo Padre explica que há muita diferença entre “dizer que Deus existe e sentir que Deus nos ama, tal como somos, agora e aqui”. E que, graças à oração litúrgica, devemos sentir a comunhão não por um pensamento abstrato, mas por uma ação que tem por agentes a Deus e a nós, a Cristo e à Igreja.

Ele enfatiza que “ritos e orações” são uma escola de vida cristã “pelo que são e não pelas explicações que damos”, abertas para aqueles que “têm ouvidos, olhos e corações abertos para compreender a vocação e missão dos Discípulos de Jesus”.

O Papa reconhece que “a riqueza da Igreja na oração como católica vai além do Rito Romano,” extendido “nas tradições rituais do Oriente e do Ocidente, pelo sopro do mesmo Espírito”.

O Pontífice conclui convidando os ministros, cantores, artistas e músicos a se envolverem mais para que a liturgia seja “uma fonte e cume da vitalidade da Igreja”.

Cidade do Vaticano – “Nós acreditamos e sabemos que a morte e o ódio não são as últimas palavras pronunciadas sobre a parábola da existência humana. Ser cristão implica uma nova perspectiva: um olhar cheio de esperança (…) sabemos que Deus nos quer herdeiros de uma promessa e incansáveis cultivadores de sonhos”.

Ao encontrar os milhares de fiéis na Sala Paulo VI para a Audiência Geral esta quarta-feira (23/08), o Papa Francisco inspirou sua catequese na passagem do Apocalipse “Eis que faço novas todas as coisas”, para falar sobre a “novidade da esperança cristã”, uma esperança “baseada na fé em Deus que sempre cria novidades na vida do homem, na história e no cosmos. Novidades e surpresas”.

Neste sentido, “não é cristão caminhar com o olhar voltado para baixo – como fazem os porcos: sempre vão assim – sem levantar os olhos para o horizonte, como se todo o nosso caminho se consumisse aqui, no palmo de poucos metros de viagem; como se na nossa vida não existisse nenhuma meta e nenhum ponto de chegada, e nós fossemos obrigados a um eterno vaguear, sem nenhuma razão para tantas nossas dificuldades. Isto não é cristão”.

“As páginas finais da Bíblia – explicou o Papa – nos mostram o horizonte último do caminho do crente: a Jerusalém do Céu, a Jerusalém celeste”, “imaginada antes de tudo como uma grande tenda onde Deus acolherá todos os homens para habitar definitivamente com eles. E esta é a nossa esperança”.

Mas quando estivermos com Deus, o que Ele fará conosco?, pergunta-se Francisco. “Usará uma ternura infinita em relação a nós, como um pai que acolhe os seus filhos que passaram por muitas dificuldades e sofreram muito”.

Neste sentido, o Papa aconselha a ler e meditar – mas não de maneira abstrata – a profecia de João em Apocalipse 21,3-5 (onde diz que Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará novas todas as coisas), mas “depois de ter visto o telejornal ou as manchetes dos jornais, onde existem tantas tragédias, onde se fala de tantas notícias tristes às quais todos correm o risco de se acostumar”: “Procurem pensar nos rostos das crianças amedrontadas pela guerra, ao choro das mães, aos sonhos desfeitos de tantos jovens, aos refugiados que enfrentam viagens terríveis. A vida infelizmente é também isto. Às vezes se diria que é sobretudo isto”.

Mas diante desta realidade, “existe um Pai que chora conosco; existe um Pai que chora lágrimas de infinita piedade em relação aos seus filhos. Nós temos um Pai que sabe chorar, que chora conosco. Um Pai que espera para nos consolar, porque conhece os nossos sofrimentos e preparou para nós um futuro diferente”.

“Esta é a grande visão da esperança cristã, que se dilata sobre todos os dias da nossa existência, e nos quer reerguer!”, exclama Francisco.

Deus não criou a nossa vida por equívoco, “obrigando a Si mesmo e a nós a duras noites de angústias”, mas nos criou “porque nos quer felizes. É o nosso Pai, e se nós aqui, agora, experimentamos uma vida que não é aquela que Ele quis para nós, Jesus nos garante que o próprio Deus está operando o seu resgate. Ele trabalha para nos resgatar”.

Algumas pessoas – observou o Santo Padre – acreditam que “a vida ofereça todas as suas felicidades na juventude e no passado, e que o viver seja um lento declínio”, ou que “as nossas alegrias sejam esporádicas e passageiras, e na vida dos homens esteja inscrita uma falta de sentido. Os que, diante de tantas calamidades dizem: “Mas, a vida não tem sentido. O nosso caminho não tem sentido”.

“Mas nós, cristãos, – advertiu – não acreditamos nisto”: “Acreditamos, pelo contrário, que no horizonte do homem existe um sol que ilumina para sempre. Acreditamos que os nossos dias mais belos estão ainda por vir. Somos gente mais de primavera do que de outono: vemos os brotos de um mundo novo antes que as folhas amareladas nos ramos. Não nos refugiamos em nostalgias, arrependimentos e lamentações: sabemos que Deus nos quer herdeiros de uma promessa e incansáveis cultivadores de sonhos”.

“Não esqueçam a pergunta – aconselhou o Papa: Eu sou uma pessoa de primavera ou outono? De primavera, que espera a flor, que espera o fruto, que espera o sol que é Jesus, ou de outono, que está sempre com o rosto olhando para baixo, amargurado e, como disse às vezes, com a cara de pimentão no vinagre?”.

O cristão – observou o Papa – sabe que o Reino de Deus, o seu Senhorio de amor “está crescendo como um grande campo de trigo, mesmo que no meio exista a cizânia. E no final o mal será eliminado”: “O futuro não nos pertence, mas sabemos que Jesus Cristo é a maior graça da vida: é o abraço de Deus que nos espera no final, mas que já agora nos acompanha e nos consola no caminho. Ele nos conduz à grande tenda de Deus com os homens, com tantos irmãos e irmãs, e levaremos a Deus a recordação dos dias vividos aqui embaixo”: “E será bonito descobrir naquele instante que nada foi perdido, nenhum sorriso, nenhuma lágrima. Mesmo que a nossa vida tenha sido longa, nos parecerá de ter vivido um sopro. E que a criação não para no sexto dia da Gênesis, mas prosseguiu incansável, porque Deus sempre se preocupou conosco. Até o último dia em que tudo se cumprirá, na manhã em que se enxugarão as lágrimas, no instante mesmo em que Deus pronunciará a sua última palavra de bênção: “Eis que faço novas todas as coisas”. Sim, o nosso Pai é o Deus das novidades e das surpresas. E naquele dia nós seremos realmente felizes, e choraremos. sim, mas choraremos de alegria”.