Raphael

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Papa pede orações e solidariedade para quem sofre com a Aids

 

Ao final da catequese desta quarta-feira, 30, o Papa Francisco recordou que amanhã, 1° de dezembro, será celebrado o Dia Mundial contra a Aids, data promovida pelas Nações Unidas.

“Milhões de pessoas convivem com esta doença e somente a metade delas tem acesso a terapias. Convido a rezar por elas e por seus caros e a promover a solidariedade para que também os mais pobres possam beneficiar de diagnoses e tratamentos adequados. Por fim, faço um apelo para que todos adotem comportamentos responsáveis para prevenir ainda mais a difusão desta doença”, disse Francisco.

No Brasil, a CNBB lançou na última terça-feira, 29, uma campanha para incentivar o acesso imediato ao tratamento do HIV. “Nós podemos construir um futuro sem Aids” é o lema da campanha promovida pela Pastoral de Aids.

Além de incentivar a testagem precoce para o HIV, a campanha também quer enfatizar que todas as pessoas que se descobrem com o vírus podem ter acesso ao tratamento; essa é uma estratégia fundamental para evitar danos à saúde e reduzir a transmissão do vírus.

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), estima que 36,7 milhões de pessoas vivem com o vírus HIV em todo o mundo. A expectativa do programa é que, até 2030, o número de novas infecções esteja abaixo de níveis não epidêmicos, cumprindo a meta 90-90-90: que 90% de todas as pessoas com HIV conheçam seu diagnóstico, que 90% das diagnosticadas sejam tratadas imediatamente, e que 90% das tratadas possuam carga viral indetectável e não possam mais transmitir o vírus.

Por Radio Vaticano 

Cidade do Vaticano – O Senhor revela o Mistério da Salvação aos pequeninos, não aos inteligentes e aos sábios. Foi o que disse o Papa na homilia da Missa celebrada na Casa Santa Marta na manhã desta terça-feira, 29.

O Papa inspirou-se na leitura do dia, tirado de Evangelho de Lucas – “O louvor de Jesus ao Pai” – para destacar a preferência de Deus por quem sabe entender os seus mistérios, não os inteligentes e os sábios, mas o “coração dos pequeninos”. Também a primeira leitura, cheia de “pequenos detalhes”, observou Francisco, “vai nesta direção”. O profeta Isaías, de fato, fala de “um pequeno broto” que “nascerá no tronco de Jessé”, e não de “um exército” que trará a libertação. E os pequeninos são os protagonistas também do Natal:

“Depois, no Natal, veremos esta pequenez, esta pequena coisa: uma criança, uma estrebaria, uma mãe, um pai… As pequenas coisas. Corações grandes, mas atitude de pequeninos. E sobre este broto se repousará o Espírito do Senhor, o Espírito Santo, e este pequeno broto terá aquela virtude dos pequeninos, e o temor do Senhor. Caminhará no temor de Deus. Temor do Senhor que não é o medo: não. É dar vida ao mandamento que Deus deu ao nosso pai Abraão: ‘Caminha na minha presença e seja irrepreensível’. Humilde. Esta é humildade“.

Humildade

E somente os pequeninos, destacou ainda o Papa, “são capazes de entender” plenamente “o sentido da humildade”, o “sentido do temor de Deus”, porque “caminham diante do Senhor”, vigilados e protegidos, “sentem que o Senhor lhes dá a força para ir avante”. Esta é a verdadeira humildade, explicou Francisco:

“Viver a humildade, a humildade cristã, é ter este temor do Senhor que – repito – não é medo, mas é: “Tu és Deus, eu sou uma pessoa, eu vou avante assim, com as pequenas coisas da vida, mas caminhando na Tua presença e buscando ser irrepreensível”. A humildade é a virtude dos pequeninos, a verdadeira humildade, não a humildade um pouco teatral: não, aquela não. A humildade de quem dizia: ‘Eu sou humilde, mas orgulhoso de sê-lo’. Não, aquela não é a verdadeira humildade. A humildade do pequenino é aquela que caminha na presença do Senhor, não fala mal dos outros, olha somente para o serviço, se sente o menor … Ali está a força”.

Também é “humilde, muito humilde”, observou ainda o Papa pensando no Natal, “aquela jovem para a qual Deus “olha” para “enviar o Seu Filho”, e que logo depois vai até a prima Isabel e não diz nada sobre “aquilo que tinha acontecido”. A humildade é assim”, acrescentou Francisco, ”caminhar na presença do Senhor”, felizes, alegres porque “vigiados por Ele”, ”exultantes na alegria porque humildes”, justamente como se narra no Evangelho do dia sobre Jesus:

“Olhando Jesus que exulta na alegria porque Deus revela o seu mistério aos humildes, possamos pedir para todos nós a graça da humildade, a graça do temor de Deus, de caminhar na sua presença buscando ser irrepreensíveis. E assim, com esta humildade, possamos ser vigilantes na oração, operosos na caridade e exultantes de alegria no louvor. Assim seja”.

Segunda, 28 Novembro 2016 15:27

Caminhos

“Nossa vida é um caminho, quando paramos, não vamos para frente” (Papa Francisco).

 

A vida das pessoas é uma grande teia de caminhos emaranhados que se cruzam a todo e qualquer momento, mais de uma vez até, ou não, mas sempre estarão interligados. Nossos caminhos devem nos conduzir ao ideal, à meta, à ponte que possibilita a travessia sobre o abismo da desesperança. A vida, meu caro, é travessia, é transcendência, é passagem para algo maior e mais pleno...

 

Procure traçar e seguir o seu caminho, pois ele é único. Por mais que os caminhos das outras pessoas possam entrecruzar com o seu e até estar muito próximo, o seu caminho é único. Então, siga-o! Você poderá experimentar momentos de solidão, mas o amor de Deus e daqueles que te amam será sempre a energia e a luz a te consolar e a te guiar...

                                                                 

Tenha uma ótima, abençoada e produtiva semana!

Frei Paulo Sérgio, ofm

Flores, frutos, fungos e folhas secas. Depois: sacerdotes rígidos que “mordem”; seminaristas quase sádicos, porque, no fundo, “doentes mentais”; mães que dão “palmadas espirituais” e bispos que só viajam e se preocupam pouco dos problemas na diocese e que, talvez, fariam melhor em “se demitirem”. Essas são as imagens e as metáforas que pontilham o “compêndio” sobre a formação e o ministério dos sacerdotes que Francisco desenhou hoje durante a sua longa audiência aos participantes do Congresso na Pontifícia Universidade Urbaniana, promovido pela Congregação para o Clero por ocasião do 50º aniversário dos Decretos Conciliares Optatam totius e Presbyterorum ordinis. Dois decretos que – diz o papa – são “uma semente” lançada pelo Concílio “no campo da vida da Igreja” e que durante estas cinco décadas “cresceram, se tornaram uma planta vigorosa, embora com algumas folhas secas, mas, especialmente com muitas flores e frutos que adornam a Igreja de hoje”. Juntos, esses dois são “duas metades de uma realidade única: a formação dos sacerdotes, que dividimos em inicial e permanente, mas que constitui por si só uma única experiência de discipulado”.

Os padres são homens, não formados em laboratório

“O caminho de santidade de um padre começa no seminário!”, destaca Bergoglio, identificando três fases tópicas: “tomados dentre os homens”, “constituídos em favor dos homens”, presentes “no meio dos outros homens”. “Tomados dentre os homens” no sentido de que “o sacerdote é um homem que nasce em um certo contexto humano; ali aprende os primeiros valores, absorve a espiritualidade do povo, se acostuma às relações”. “Até mesmo os sacerdotes têm uma história”. Não são “fungos” que “surgem de repente na Catedral no dia da sua ordenação”, diz Francisco. É importante, por isso, que os formadores e os próprios sacerdotes tenham em conta tal história pessoal ao longo do caminho de formação. “Não se pode ser sacerdote acreditando que se formou em um laboratório”, acrescenta de improviso, “não, começa na família com a tradição da fé e todas as experiências da família”. É necessário, portanto, que toda a formação “seja personalizada, porque é a pessoa concreta que é chamada ao discipulado e ao sacerdócio”.

Família primeiro centro vocacional. “Não se esqueçam mães e avós”

Acima de tudo, devemos lembrar o fundamental “centro de pastoral vocacional” que é a família: “igreja doméstica e primeiro e fundamental lugar de formação humana”, onde pode germinar “o desejo de uma vida concebida como caminho vocacional”. “Não se esqueçam das vossas mães e das vossas avós”, exorta Francisco. Depois, elenca os outros contextos comunitários: “escola, paróquia, associações, grupos de amigos”, onde – diz – “aprendemos a estar em relação com pessoas concretas, nos fazemos modelar da relação com eles, e nos tornamos o que somos também graças a eles”.

“Um bom sacerdote”, portanto, “é antes de tudo um homem com a sua própria humanidade, que conhece a sua própria história, com as suas riquezas e as suas feridas, e que aprendeu a fazer as pazes com ela, alcançando a serenidade de fundo, própria de um discípulo do Senhor”, destaca Francisco. Por isso, “a formação humana” é necessária para os sacerdotes, “para que aprendam a não serem dominados pelos seus limites, mas, sim, a construir sobre os seus talentos”.

“Sacerdotes neuróticos? Não pode… Que passem por um médico para tomar remédio”

Além do mais um padre em paz consigo mesmo e com a sua história “saberá difundir serenidade ao seu redor, também nos momentos difíceis, transmitindo a beleza da relação com o Senhor”. Não é normal, de fato, “que um sacerdote seja triste muitas vezes, nervoso ou duro de caráter”, observa o Papa Francisco: “Não está bem e não faz bem, nem ao sacerdote, nem ao seu povo. Mas se você tem uma doença e é neurótico, vá a um médico! A um médico clínico que te dará um comprimido que te fará bem. Também dois! Mas, por favor, que os fieis não falem das neuroses dos padres. E não batam nos fieis”.

Os sacerdotes são, de fato, “apóstolos da alegria” e com a sua atitude podem “favorecer ou obstruir o encontro entre o Evangelho e as pessoas”. “A nossa humanidade é o vaso de barro’ onde guardamos o tesouro de Deus”; é necessário, por isso, cuidar “para transmitir bem o seu precioso conteúdo”. Nunca um sacerdote deve “perder a capacidade de alegria. Se a perde existe algo errado”, recomenda o Santo Padre.

E admite que “honestamente” tem medo dos rígidos: “é melhor ficar longe dos sacerdotes rígidos, eles mordem”, diz com ironia. “Lembro-me daquilo que disse Santo Ambrósio no século IV; onde há a misericórdia está o espírito do Senhor. Onde há a rigidez, estão só os seus ministros. E o ministro sem o Senhor se torna rígido. E isso é um perigo para o povo de Deus”.

“Nunca, jamais, perder as próprias raízes!”

Além disso, um padre – comenta Francisco – “não pode perder as suas raízes, é sempre um homem do povo e da cultura que o gerou”. “As nossas raízes nos ajudam a recordar quem somos e de onde Cristo nos chamou. Nós, sacerdotes, não caímos do céu, mas somos chamados por Deus, que nos tira ‘dentre os homens’, para constituir-nos em ‘favor dos homens’”.

A este respeito, o Papa contou uma anedota: “Na Companhia, alguns anos atrás, havia um bom padre, bom, jovem, dois anos de sacerdócio… entrou em crise, falou com o padre espiritual, com os superiores, os médicos: ‘vou embora, não aguento mais’. Eu conhecia a sua mãe, pessoa humilde, não uma dessas ‘mulherzinhas’… e lhe disse: ‘Por que você não vai até a sua mãe e lhe conta tudo?’. E ele foi, passou um dia com a mãe. Voltou assim. A mãe lhe deu dois tapas espirituais, lhe disse 3 ou 4 verdades, colocou-o no seu lugar, e seguiu adiante. Por quê? Porque voltou à raiz”.

“Ore como você aprendeu a rezar quando criança”

Assim, “no seminário – explicou o Papa – você deve fazer a oração mental. Sim, sim, isso deve ser feito, aprender. Mas, antes de tudo, reze como te ensinou a sua mãe, cmo aprende a rezar de criança. Até com as mesmas palavras. Comece a rezar assim, depois avançarás na oração”.

Pastores, e não os funcionários

As raízes, então. “Este é um ponto fundamental da vida e do ministério dos sacerdotes”, diz Francisco. O outro é que “se torna sacerdotes para servir os irmãos e as irmãs”. Porque “não somos sacerdotes para nós mesmos e a nossa santificação é intimamente ligada à do nosso povo, a nossa unção à sua unção”. Saber e recordar que somos “constituídos para o povo”, ajuda o sacerdote “a não pensar em si, a ser crível e não autoritário, firme mas não duro, alegre mas não superficial”. Em suma, “pastores, não funcionários”. Muito menos o sacerdote é “um profissional da pastoral ou da evangelização, que chega e faz o que deve – talvez bem, mas como se fosse um trabalho – e depois vai embora viver uma outra vida”. Não, não, “o que nasceu do povo, com o povo deve permanecer”. O sacerdote está sempre “no meio dos outros homens” e “vira-se sacerdote para estar no meio do povo”, reitera Bergoglio.

Bispos compromissados e viajantes: “Se você não está a fim de permanecer na diocese, peça demissão”

Portanto, a “proximidade” é um requisito básico, que também é necessário para os “irmãos bispos”. “Quantas vezes – diz o Papa – escutamos queixas dos sacerdotes: ‘Mas liguei para o bispo porque eu tenho um problema, a secretária me disse que ele está muito ocupado, que está viajando, que só pode me atender dentro de três meses! Um bispo sempre ocupado, graças a Deus. Mas se você, bispo, recebe o chamado de um padre e não pode encontra-lo porque tem muito trabalho, pelo menos pegue um telefone e ligue para ele. E pergunte ‘mas é urgente, não é urgente?’, de forma que ele sente que você está próximo”.

Infelizmente, porém “há bispos que parecem afastar-se dos sacerdotes”, onde “proximidade” também pode ser um telefonema”, um simples sinal “de amor paterno, de fraternidade”, mais prioridade do que uma conferência em tal cidade” ou uma viagem à América”.  do que a” conferência na cidade “ou” uma viagem na América. “” Mas escute, eh! “, diz Francisco, “o decreto de residência de Trento ainda está vigente e se você acha que não consegue ficar na diocese, peça demissão! E roda o mundo fazendo outro apostolado muito bom… Mas se você é bispo daquela diocese: residência”

O bem que padres e bispos podem fazer “vem principalmente da proximidade deles e de terno amor pelas pessoas”. Porque não são “filantropos ou funcionários”, na verdade, mas “pais e irmãos” que devem garantir “entranhas de misericórdia, olhar amoroso”. “A paternidade de um sacerdote faz muito bem” no sentido de “fazer experimentar a beleza de uma vida vivida segundo o Evangelho e o amor de Deus que se concretiza através de seus ministros.”

“Se não é possível absolver, pelo menos dê uma benção”

Porque “Deus não rejeita nunca”. E aqui uma outra “palmada” do Papa, tudo no improviso: “Penos nos confessionários – diz -, sempre e possível achar caminhos para dar a absolvição. Algumas vezes não é possível absolver. Mas tem padres que dizem: ‘Não, isso não se pode fazer, vá embora!’. Este não é o caminho… Se você não pode dar a absolvição explique: ‘Deus te ama muito. Para chegar a Deus existem muitos caminhos. Eu não posso te dar a absolvição, então, te dou a benção. Volte, volte sempre aqui que eu, cada vez, te darei a benção como sinal de que Deus te ama. E aquele homem, aquela mulher, sairá cheio de alegria porque encontrou o ícone do Pai que não rejeita nunca”.

Um padre não tem “espaços privados”

Francisco, portanto, convidou a um “bom exame de consciência” útil para orientar a própria vida e os próprio ministério a Deus: “Se o Senhor voltasse hoje, onde me encontraria? O meu coração está aonde? No meio das pessoas, orando com e para as pessoas, envolvido com as suas alegrias e sofrimentos, ou, no meio das coisas do mundo, dos trabalhos terrenos, dos meus ‘espaços’ privados?”. Atenção – diz ele – porque “um padre não pode ter um espaço privado ou está com o Senhor. Acho que os sacerdotes que conheci na minha cidade, quando não havia nenhuma secretária telefônica, dormiam com o telefone debaixo da mesa e quando as pessoas ligavam, se levantavam e iam dar a unção. Ninguém morria sem os sacramentos… Nem mesmo no descanso tinham um espaço privado. Isso é ser apostólico”.

“Olhos abertos nas admissões nos seminários. Atrás dos rígidos existem transtornos mentais”

Um último pensamento, antes de concluir, Francisco o faz também improvisando sobre o tema difícil do discernimento vocacional e a admissão ao seminário. Temos que “procurar a saúde daquele jovem”, recomenda, a “saúde espiritual, material, física, psíquica”. Outra anedota: “Uma vez, recém-nomeado mestre de noviços, ano ’72, fui levar pela primeira vez à psiquiatra os resultados do teste de personalidade que se fazia como um dos requisitos do discernimento. Ela era uma boa mulher e uma boa cristã, mas em alguns casos era inflexível: “Esse não pode”. “Mas, doutora, é um jovem tão bom!”. “Mas saiba, padre – explicava a psiquiatra ao futuro Papa – existem jovens que sabem inconscientemente que são psicologicamente enfermos e procuram para as suas vidas estruturas fortes para defende-los e assim poderem seguir em frente. E estão bem até o momento em que se sentem bem estáveis, depois, ali começam os problemas…”.

“Você não pensou no porquê existem tantos policiais torturadores?”, Perguntava a mulher, “entram jovens, parecem sadios, mas quanto se sentem seguros a doença começa a sair”. Polícia, exército, clero, são, de fato, “as instituições fortes que estes doentes inconscientes procuram”, observa o Papa Francisco, “e depois, muitas doenças que todos nós conhecemos”. “É interessante – acrescenta -: quando um jovem é muito rígido, muito fundamentalista, eu não confio. Detrás daquilo existe algo que ele mesmo não sabe”.

Portanto, uma clara advertência: “Cuidado com as admissões para os seminários, olhos abertos.”

Quarta, 23 Novembro 2016 11:54

Fé em Deus

“Seja hoje um sinal de amor para alguém. Seja hoje aquilo que você pode ser, sem medo e sem reter, a partir do amor de Deus que está em você” (Frei Paulo Sérgio, ofm).

 

O que me dá forças para enfrentar as adversidades da vida são as preces e a fé que tenho em Deus. Acredito e me abro à missão que Deus confia a mim. Sei que posso ser melhor a cada dia, sei que sou amado e que esse amor me impulsiona a seguir. Sei que muitas pessoas necessitam dessa ação de Deus, que acontece a partir de mim...

 

Quando me levanto e vejo a aurora clareando a escuridão e o cantar dos pássaros sei que a minha missão se renova... Então me levanto e peço a força de Deus para agir em mim. Sei que pouco faço, mas esse pouco é que faz toda a diferença. Sei que sou eleito e chamado por Deus a ser sinal de esperança, alegria e fé. Sigo, pois, o caminho e continuo a acreditar no Reino de Deus!

 

Abraços terapêuticos,

Frei Paulo Sérgio, ofm

Terça, 22 Novembro 2016 10:58

Advento e seu significado

O Advento é um dos quatro tempos do Ano Litúrgico. A liturgia do Advento caracteriza-se como período de preparação, como se pode deduzir da própria palavra advento que se origina do verbo latino adventum (advenire), que quer dizer chegar. Advento é tempo de espera d’Aquele que há de vir. Pelo Advento nos preparamos para celebrar o Senhor que veio, que vem e que virá; sua liturgia conduz a celebrar as duas vindas de Cristo: Natal e Parusia. Na primeira, celebra-se a manifestação de Deus experimentada há mais de dois mil anos com o nascimento de Jesus, e na segunda, a sua desejada manifestação no final dos tempos, quando Cristo vier em sua glória.

O tempo do Advento formou-se progressivamente a partir do século IV e já era celebrado na Gália e na Espanha. Em Roma, onde surgiu a festa do Natal, passou a ser celebrado somente a partir do século VI, quando a Igreja Romana vislumbrou na festa do Natal o início do mistério pascal e era natural que se preparasse para ela como se preparava para a Páscoa. Nesse período, o tempo do Advento consistia em seis semanas que antecediam a grande festa do Natal. Foi somente com São Gregório Magno (590-604) que esse tempo foi reduzido para quatro domingos, tal como hoje celebramos.

Um dos muitos símbolos do Natal é a coroa do Advento que, por meio de seu formato circular e de suas cores, silenciosamente expressa a esperança e convida à alegre vigilância. A coroa teve sua origem no século XIX, na Alemanha, nas regiões protestantes, situadas ao norte do país. Nós, católicos, adotamos o costume da coroa do Advento no início do século XX. Na confecção da coroa eram usados ramos de pinheiro e cipreste, únicas árvores cujos ramos não perdem suas folhas no outono e estão sempre verdes, mesmo no inverno. Os ramos verdes são sinais da vida que teimosamente resiste; são sinais da esperança. Em algumas comunidades, os fiéis envolvem a coroa com uma fita vermelha que lembra o amor de Deus que nos envolve e nos foi manifestado pelo nascimento de Jesus. Até a figura geométrica da coroa, o círculo, tem um bonito simbolismo. Sendo uma figura sem começo e fim, representa a perfeição, a harmonia, a eternidade.

Na coroa, também são colocadas quatro velas referentes a cada domingo que antecede o Natal. A luz vai aumentando à medida em que se aproxima o Natal, festa da luz que é Cristo, quando a luz da salvação brilha para toda humanidade. Quanto às cores das quatro velas, quase em todas as partes do mundo é usada a cor vermelha. No Brasil, até pouco tempo atrás, costumava-se usar velas nas cores roxa ou lilás, e uma vela cor de rosa referente ao terceiro domingo do Advento, quando se celebra o Domingo de Gaudete (Domingo da Alegria), cuja cor litúrgica é rosa. Porém, atualmente, tem-se propagado o costume de velas coloridas: verde, roxa, rosa e branca. Há também algumas com sub-tons de roxo, rosa e branco.


Pe. Agnaldo Rogério dos Santos 
Reitor dos Seminários Filosófico e Teológico
Diocese de Piracicaba

O papa Francisco presidiu, na manhã deste sábado, 19 de novembro, na Basílica Vaticana, o Consistório Ordinário Público para a Criação de 17 novos Cardeais, provenientes de diversos países, entre os quais o Brasil, na pessoa de dom Sergio da Rocha, arcebispo de Brasília (DF) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Em sua homilia, o Santo Padre partiu da passagem evangélica, chamada “discurso da planície”: depois que Jesus escolheu os Doze apóstolos, pôs-se a caminho e desceu com eles para uma região plana, onde era aguardado por uma grande multidão, queria ouvir suas palavras e ser curada por Ele.

A vocação dos Apóstolos é associada a este “pôr-se a caminho” rumo à planície, para encontrar uma multidão “atormentada”. E o Papa explicou:

«A escolha, ao invés de mantê-los no alto da montanha, levou-os para o meio da multidão, em meio às suas tribulações, ao nível da sua vida. Assim, o Senhor revela, a eles e a nós, que o verdadeiro cume se alcança a partir da planície, que nos lembra que o cume se situa em um horizonte, que se torna um convite especial: ‘Sejam misericordiosos como o Pai é misericordioso’».

Trata-se de um convite, acrescentou Francisco, que é acompanhado de quatro imperativos ou quatro exortações – que o Senhor lhes dirige, para moldar a sua vocação no dia-a-dia. São quatro ações que darão forma, encarnarão e tornarão palpável o caminho do discípulo, como afirmou o Papa:

“Poderíamos dizer que são quatro etapas da mistagogia da misericórdia - iniciação nos mistérios de uma religião -: amar, fazer o bem, abençoar e rezar. Penso que, sobre estes aspetos, que parecem razoáveis, estamos todos de acordo. São quatro ações que facilmente realizamos com os nossos amigos, com as pessoas mais ou menos próximas na estima, nos gostos, nos costumes”.

O problema, diz o Pontífice, surge quando Jesus nos apresenta os destinatários destas ações: “Amem seus inimigos, façam o bem aos que lhes odeiam, abençoem os que lhes amaldiçoam, rezem pelos que lhes caluniam:

“Encontramo-nos diante de uma das caraterísticas mais específicas da mensagem de Jesus, onde se oculta a sua força e o seu segredo e da qual brota a fonte da nossa alegria, a força da nossa missão e o anúncio da Boa Nova. O inimigo é alguém que devo amar”.

O coração de Deus não tem inimigos; Deus tem apenas filhos. Nós erguemos muros, construímos barreiras e classificamos as pessoas. O amor de Deus é fiel, materno e paterno, incondicional, que exige conversão do coração, que tende a julgar, dividir, contrapor e condenar. E Francisco ponderou:

“A nossa época é caraterizada por problemáticas e interrogativos fortes em escala mundial. Vivemos em um tempo em que ressurgem, como uma epidemia nas sociedades, a polarização e a exclusão, como única forma  de se resolver os conflitos, ao invés, se torna uma ameaça e adquire a condição de inimigo”.

O inimigo, para muitos, explicou o Santo Padre, vem de terras distantes, tem outros costumes e cor da pele, língua ou condições sociais diferentes; porque pensa de outro modo ou professa outra fé. Aos poucos, essas diferenças se transformam em hostilidade, ameaça e violência. Quantas feridas por causa desta epidemia de inimizade e violência, desta patologia da indiferença! Quantas situações de precariedade, sofrimento e inimizade entre os povos, existem entre nós, em nossas comunidades, presbitérios e reuniões. E o Papa acrescentou:

“O vírus da polarização e da inimizade permeia em nosso modo de pensar, sentir e agir. Devemos estar atentos para que esta conduta não ocupe o nosso coração, porque vai contra a riqueza e a universalidade da Igreja, que se reflete no Colégio Cardinalício. Viemos de terras distantes, temos costumes, cor da pele, línguas e condições sociais diferentes; pensamos e celebramos a fé com vários ritos. Isso não nos torna inimigos, mas é uma das nossas maiores riquezas”.

O Santo Padre concluiu sua homilia, recordando que Jesus não cessa de “descer do monte” para nos inserir na história e anunciar o Evangelho da Misericórdia. Ele continua a enviar-nos à “planície” dos nossos povos e a dar-lhes a vida e a esperança, sinais de reconciliação.

Como Igreja, disse por fim Francisco aos Cardeais, somos convidados a abrir os nossos olhos para ver as feridas de tantos irmãos e irmãs privados e provados na sua dignidade. Sejam misericordiosos como o Pai!

Ao término da celebração do Consistório Ordinário Público, o Santo Padre e os novos Cardeais, a bordo de dois micro-ônibus, foram visitar o Papa emérito, Bento XVI, no mosteiro Mater Ecclesiae, onde reside nos Jardins do Vaticano.

 

 

Íntegra da homilia do Papa:

Consistório Ordinário Público para a criação de novos Cardeais (Basílica Vaticana, 19 de novembro de 2016)

A passagem do Evangelho que acabamos de ouvir (cf. Lc 6, 27-36) faz parte do que muitos chamam «o discurso da planície». Despois da instituição dos Doze, Jesus desceu com os seus discípulos para um local plano, onde uma multidão estava à sua espera para O escutar e ser curada por Ele. A vocação dos Apóstolos aparece associada com este «pôr-se a caminho» rumo à planície, para encontrar uma multidão que se sentia – como diz o texto do Evangelho – «atormentada» (Lc 6, 18). A escolha deles, em vez de os fazer permanecer lá no alto, no cimo da montanha, leva-os para o seio da multidão, coloca-os no meio das suas tribulações, ao nível da sua vida. Assim o Senhor revela, a eles e a nós, que o verdadeiro cume se alcança na planície, e esta lembra-nos que o cume se situa num horizonte e, especialmente, num convite: «Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso» (Lc 6, 36).

Um convite acompanhado por quatro imperativos – poderíamos dizer quatro exortações – que o Senhor lhes dirige, para moldar a sua vocação na existência concreta do dia-a-dia. São quatro ações que darão forma, encarnarão e tornarão palpável o caminho do discípulo. Poderíamos dizer que são quatro etapas da mistagogia da misericórdia: amai, fazei o bem, abençoai e rezai. Penso que, sobre estes aspetos, é possível estarmos todos de acordo, parecendo-nos mesmo razoáveis. São quatro ações que facilmente realizamos com os nossos amigos, com as pessoas mais ou menos chegadas, próximas na estima, nos gostos, nos costumes.

O problema surge quando Jesus nos apresenta os destinatários destas ações, e fá-lo com muita clareza, sem divagações nem eufemismos. Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai aqueles que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam (cf. Lc 6, 27-28).

Estas ações, não nos vem espontaneamente a vontade de as fazer a pessoas que aparecem a nossos olhos como um adversário, como um inimigo. Ao vê-las, a nossa atitude primária e instintiva é desqualificá-las, desacreditá-las, amaldiçoá-las; em muitos casos, procuramos «demonizá-las» a fim de ter uma justificação «santa» para nos livrarmos delas. Ao contrário Jesus, referindo-Se ao inimigo, a quem te odeia, amaldiçoa ou difama, diz-nos: ama-o, faz-lhe bem, abençoa-o e reza por ele.

Estamos perante uma das caraterísticas mais específicas da mensagem de Jesus, onde se esconde a sua força e o seu segredo; daí dimana a fonte da nossa alegria, a força da nossa missão e o anúncio da Boa Nova. O inimigo é alguém que devo amar. No coração de Deus, não há inimigos; Deus tem apenas filhos. Nós erguemos muros, construímos barreiras e classificamos as pessoas. Deus tem filhos, e não foi para Se livrar deles que os quis. O amor de Deus tem o sabor da fidelidade às pessoas, porque é um amor entranhado, um amor materno/paterno que não as deixa ao abandono, mesmo quando erraram. O nosso Pai não espera pelo momento em que formos bons, para amar o mundo; para nos amar, não espera pelo momento em que formos menos injustos, ou mesmo perfeitos; ama-nos porque escolheu amar-nos, ama-nos porque nos deu o estatuto de filhos. Amou-nos mesmo quando éramos seus inimigos (cf. Rm 5, 10). O amor incondicional do Pai para com todos foi, e é, uma verdadeira exigência de conversão para o nosso pobre coração, que tende a julgar, dividir, contrapor e condenar. Saber que Deus continua a amar mesmo quem O rejeita, é uma fonte ilimitada de confiança e estímulo para a missão. Nenhuma mão, por mais suja que esteja, pode impedir a Deus de colocar nela a Vida que nos deseja oferecer.

A nossa época carateriza-se por problemáticas e interrogativos fortes à escala mundial. Tocou-nos atravessar um tempo em que ressurgem, à maneira duma epidemia nas nossas sociedades, a polarização e a exclusão como única forma possível de resolver os conflitos. Vemos, por exemplo, como rapidamente quem vive ao nosso lado não só possui a condição de desconhecido, imigrante ou refugiado, mas torna-se uma ameaça, adquire a condição de inimigo. Inimigo, porque vem duma terra distante, ou porque tem outros costumes. Inimigo pela cor da sua pele, pela sua língua ou a sua condição social; inimigo, porque pensa de maneira diferente e mesmo porque tem outra fé. Inimigo, porque... E, sem nos darmos conta, esta lógica instala-se no nosso modo de viver, agir e proceder. Consequentemente, tudo e todos começam a ter sabor de inimizade. Pouco a pouco as diferenças transformam-se em sintomas de hostilidade, ameaça e violência. Quantas feridas se alargam devido a esta epidemia de inimizade e violência, que se imprime na carne de muitos que não têm voz, porque o seu clamor foi esmorecendo até ficar reduzido ao silêncio por causa desta patologia da indiferença! Quantas situações de precariedade e sofrimento são disseminadas através deste crescimento da inimizade entre os povos, entre nós! Sim, entre nós, dentro das nossas comunidades, dos nossos presbitérios, das nossas reuniões. O vírus da polarização e da inimizade permeia as nossas maneiras de pensar, sentir e agir. Não sendo imunes a isto, devemos estar atentos para que tal conduta não ocupe o nosso coração, pois iria contra a riqueza e a universalidade da Igreja que podemos constatar palpavelmente neste Colégio Cardinalício. Vimos de terras distantes, temos costumes, cor da pele, línguas e condições sociais distintas; pensamos de forma diferente e também celebramos a fé com vários ritos. E nada de tudo isto nos torna inimigos; pelo contrário, é uma das nossas maiores riquezas.

Amados irmãos, Jesus não cessa de «descer do monte», não cessa de querer inserir-nos na encruzilhada da nossa história para anunciarmos o Evangelho da Misericórdia. Jesus continua a chamar-nos e a enviar-nos à «planície» dos nossos povos, continua a convidar-nos a gastar a nossa vida apoiando a esperança do nosso povo, como sinais de reconciliação. Como Igreja, continuamos a ser convidados a abrir os nossos olhos para vermos as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da sua dignidade, provados na sua dignidade.

Amado irmão neo-cardeal, o caminho para o céu começa na planície, no dia-a-dia da vida repartida e compartilhada, duma vida gasta e doada: na doação diária e silenciosa do que somos. O nosso cume é esta qualidade do amor; a nossa meta e aspiração é procurar na planície da vida, juntamente com o povo de Deus, transformar-nos em pessoas capazes de perdão e reconciliação.

Amado irmão, aquilo que hoje se te pede é que guardes no teu coração e no coração da Igreja este convite a ser misericordioso como o Pai, sabendo que «se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 49).


Fonte: CNBB

Segunda, 21 Novembro 2016 10:45

Mudanças

“Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade” (Clarice Lispector).

 

A mudança faz parte da vida, pois é a dinâmica que tudo perpassa. O movimento está em todos os entes físicos, em nosso corpo, em nosso SER. No caminhar da vida vamos vivendo e aprendendo os desafios e a delícia de viver... A cada dia temos a possibilidade de fazer as mesmas coisas, de maneira diferente. Experimente colocar um porquinho mais de dedicação e amor e verás o resultado!

 

Mude de caminho, ande por outras ruas... Procure observar melhor os lugares por onde passas... Já reparaste que existem canteiros, árvores, flores e pessoas? Veja o mundo por outras perspectivas, descubra novos horizontes, permita que a alegria, o prazer de viver e a felicidade entrem pela porta da tua casa... E a casa mais importante é o teu coração!

 

Tenha um lindo e abençoado dia... Uma semana cheia de luz, alegria e paz!

Frei Paulo Sérgio, ofm.

Sexta, 18 Novembro 2016 15:48

Transformação

“Há certas coisas que não podem ser ajustadas. Tem que acontecer de dentro pra fora” (Rubem Alves).

Existem muitas coisas quem não se pode apressar, pois requer o tempo da maturação. Quem colhe uma fruta verde não vai sentir o seu verdadeiro sabor, pois não esperou o tempo adequado. Com as pessoas a mesma coisa acontece: podemos ajudar, colaborar, caminhar do lado... porém, a verdadeira transformação vem de dentro pra fora. Eclode no momento onde muitas coisas convergem: eis a meta-morfo-ose!

Se você busca seu autoconhecimento, você encontrará o caminho dentro de sua alma. É dentro de você que muitas coisas precisam mudar e encontrar um novo ponto de equilíbrio. Após uma tese e uma antítese surge uma síntese; após conflitos e crises, surge um momento novo que possibilita abertura e crescimento...

Tenha um excedente fim de semana!

Frei Paulo Sérgio, ofm

Diz a lenda que Isabel foi invocada mesmo antes de nascer. Um vidente anunciou seu glorioso nascimento como estrela que nasceria na Hungria, passaria a brilhar na Alemanha e se irradiaria para o mundo. Citou-lhe o nome, como filha do rei da Hungria e futura esposa do soberano de Eisenach (Alemanha).

De fato, como previsto, a filha do rei André, da Hungria, e da rainha Gertrudes, nasceu em 1207. O batismo da criança foi uma festa digna de reis. E a criança recebeu o nome de Isabel, que significa repleta de Deus.

Ela encantou o reino e trouxe paz e prosperidade para o governo de seu pai. Desde pequenina se mostrou de fato repleta de Deus pela graça, pela beleza, pelo precoce espírito de oração e pela profunda compaixão para com os sofredores.

Tinha apenas quatro aninhos quando foi levada para a longínqua Alemanha como prometida esposa do príncipe Luís, nascido em 1200, filho de Hermano, soberano da Turíngia. Hermano se orientava pela profecia e desejava assegurar um matrimônio feliz para seu filho.

Dada a sua vida simples, piedosa e desligada das pompas da corte, concluíram que a menina não seria companheira para Luis. E a perseguiam e maltratavam, dentro e fora do palácio.

Luis, porém, era um cristão da fibra do pai. Logo percebeu o grande valor de Isabel. Não se impressionava com a pressão dos príncipes e tratou de casar-se quanto antes. O que aconteceu em 1221.

A Santa não recuava diante de nenhuma obra de caridade, por mais penosas que fossem as situações, e isso em grau heróico! Certa vez, Luis a surpreendeu com o avental repleto de alimentos para os pobres. Ela tentou esconder… Mas ele, delicadamente, insistiu e… milagre! Viu somente rosas brancas e vermelhas, em pleno inverno. Feliz, guardou uma delas.

Sua vida de soberana não era fácil e freqüentemente tinha que acompanhar o marido em longas e duras cavalgadas. Além disso, os filhos, Hermano, de 1222; Sofia, de 1224 e Gertrudes, de 1227.

Estava grávida de Gertrudes, quando descobriu que o duque Luis se comprometera com o Imperador Frederico II a seguir para a guerra das Cruzadas para libertar Jerusalém. Nova renúncia duríssima! E mais: antes mesmo de sair da Itália, o duque morre de febre, em 1227! Ela recebe a notícia ao dar à luz a menina.

Quando Luis ainda vivia, ele e Isabel receberam em Eisenach alguns dos primeiros franciscanos a chegar na Alemanha por ordem do próprio São Francisco. Foi-lhes dado um conventinho. Assim, a Santa passou a conhecer o Poverello de Assis e este a ter freqüentes notícias dela. Tornou-se mesmo membro da Familia Franciscana, ingressando na Ordem Terceira que Francisco fundara para leigos solteiros e casados. Era, pois, mais que amiga dos frades. Chegou a receber de presente o manto do próprio São Francisco!

Morto o marido, os cunhados tramaram cruéis calúnias contra ela e a expulsaram do castelo de Wartburgo. E de tal forma apavoraram os habitantes da região, que ninguém teve coragem de acolher a pobre, com os pequeninos, em pleno inverno. Duas servas fiéis a acompanharam, Isentrudes e Guda.

De volta ao Palácio quando chegaram os restos mortais de Luís, Isabel passou a morar no castelo, mas vestida simplesmente e de preto, totalmente afastada das festas da corte. Com toda naturalidade, voltou a dedicar-se aos pobres. Todavia, Lá dentro dela o Senhor a chamava para doar-se ainda mais. Mandou construir um conventinho para os franciscanos em Marburgo e lá foi morar com suas servas fiéis. Compreendeu que tinha de resguardar os direitos dos filhos. Com grande dor, confiou os dois mais velhos para a vida da corte. Hermano era o herdeiro legitimo de Luis. A mais novinha foi entregue a um Mosteiro de Contemplativas, e acabou sendo Santa Gertrudes! Assim, livre de tudo e de todos, Isabel e suas companheiras professaram publicamente na Ordem Franciscana Secular e, revestidas de grosseira veste, passaram a viver em comunidade religiosa. O rei André mandou chamá-las, mas ela respondeu que estava de fato feliz. Por ordem do confessor, conservou alguma renda, toda revertida para os pobres e sofredores.

Construiu abrigo para as crianças órfãs, sobretudo defeituosas, como também hospícios para os mais pobres e abandonados. Naquele meio, ela se sentia de fato rainha, mãe, irmã. Isso no mais puro amor a Cristo. No atendimento aos pobres, procurava ser criteriosa. Houve época, ainda no palácio, em que preferia distribuir alimentos para 900 pobres diariamente, em vez de dar-lhes maior quantia mensalmente. É que eles não sabiam administrar. Recomendava sempre que trabalhassem e procurava criar condições para isso. Esforçava-se para que despertassem para a dignidade pessoal, como convém a cristãos. E são inúmeros os seus milagres em favor dos pobres!

De há muito que Isabel, repleta de Deus, era mais do céu do que da terra. A oração a arrebatava cada vez mais. Suas servas atestam que, nos últimos meses de vida, frequentemente uma luz celestial a envolvia. Assim chegou serena e plena de esperança à hora decisiva da passagem para o Pai. Recebeu com grande piedade os sacramentos dos enfermos. Quando seu confessor lhe perguntou se tinha algo a dispor sobre herança, respondeu tranqüila: “Minha herança é Jesus Cristo !” E assim nasceu para o céu! Era 17 de novembro de 1231.

Sete anos depois, o Papa Gregório IX, de acordo com o Conselho dos Cardeais, canonizou solenemente Isabel. Foi em Perusa, no mesmo lugar da canonização de São Francisco, a 26 de maio de 1235, Pentecostes. Mais tarde foi declarada Padroeira da Ordem Franciscana Secular.

FREI CARMELO SURIAN, O.F.M.