Raphael

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Por ocasião do VIII Centenário do Perdão de Assis que comemora a solene consagração, acontecida no dia 2 de agosto de 1216, da pequena igreja interna na Basílica de Santa Maria dos Anjos

Assis está em festa pela notícia da visita do Papa Francisco à Porciúncula na tarde do dia 4 de agosto por ocasião do VIII Centenário do Perdão de Assis que comemora a solene consagração, acontecida no dia 2 de agosto de 1216, da pequena igreja interna na Basílica de Santa Maria dos Anjos, lugares simbólicos dos franciscanos, onde o pobrezinho acolheu os seus seguidores e depois morreu em 1226.

Todo ano, no dia 2 de agosto, rios de peregrinos se juntam na basílica papal para a ocasião na qual é possível obter a indulgência plenária. Providencialmente, neste ano, o centenário do Perdão de Assis cai precisamente no Ano Santo extraordinário que o Pontífice quis dedicar á Misericórdia; uma coincidência que assume uma importância simbólica extraordinária considerando também a ligação idealmente instaurada pelo Papa Francisco com o Santo de Assis, do qual escolheu o nome ao ter sido escolhido para o trono de Pedro: “Uma Igreja pobre para os pobres”.

 

Segunda, 04 Julho 2016 08:23

Felicidade

“Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade” (Mario Quintana).

 

A busca pela felicidade é algo que move o desejo de toda pessoa: faz parte do sonho da humanidade!

A questão é a dificuldade que temos para entender que a felicidade não é algo que se conquista e, depois, se permanece nela como nos contos de fadas...

A felicidade está em ser feliz, em permear a vida de pequenas conquistas e compartilhá-las!

 

A felicidade está nas pequenas coisas, nos momentos de encontros, no cultivar um jardim e sem ser presença amiga e transformadora na vida das pessoas.

É feliz que levanta de manhã e agradece a Deus pela vida, pelo sol que brilha, pela chuva que cai...

É feliz quem ora pedindo a Deus luz e sabedoria em favor humanidade.

 

Tenha um lindo dia e uma abençoada semana!

Frei Paulo Sérgio, ofm

“O inverno cobre minha cabeça, mas uma eterna primavera vive em meu coração” (Victor Hugo).

 

A “consciência” de uma planta no meio do inverno não está voltada para o verão que passou, mas para a primavera que irá chegar.

A planta não pensa nos dias que já foram, mas nos que virão. Assim deve ser também a nossa consciência:

devemos nos libertar do passado e abrir-nos para o futuro; não ficar lamentando o tempo que passou, mas buscar a novidade que chega...

 

Muitas vezes carregamos cinzas e fardos do passado... É preciso a coragem e o desprendimento para sepultar tudo isso!

Olhar para o futuro com esperança nos ajuda a construir o hoje com alegria, semear as coisas boas que vão florir amanhã...

Assim como o inverno antecipa a primavera, os momentos de sofrimento, dor e semeadura proporcionam a chegada da alegria, da vitória e da colheita!

 

Tenha um lindo e abençoado dia!

Frei Paulo Sérgio, ofm

Cidade do Vaticano – O Papa presidiu na manhã desta quarta-feira (29/06), à Missa da Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo – padroeiros de Roma.

Como é tradição nesta celebração, o Pontífice abençoou os pálios dos novos arcebispos metropolitanos – dentre eles, quatro brasileiros – que serão impostos pelos Núncios Apostólicos nas respectivas arquidioceses.

Na homilia o Papa Francisco destacou a importância da oração na vida do discípulo, o modo como a oração encorajou o testemunho de São Pedro e São Paulo. O Papa ressaltou que a oração desinstala o cristão e rompe as barreiras do medo e promove a unidade.

Confira na íntegra a homilia do Papa Francisco:

Nesta liturgia, a Palavra de Deus contém um binômio central: fechamento/abertura. E, relacionado com esta imagem, está também o símbolo das chaves, que Jesus promete a Simão Pedro para que ele possa, sem dúvida, abrir às pessoas a entrada no Reino dos Céus, e não fechá-la como faziam alguns escribas e fariseus hipócritas que Jesus censura (cf. Mt 23, 13).

A leitura dos Atos dos Apóstolos (12, 1-11) apresenta-nos três fechamentos: o de Pedro na prisão; o da comunidade reunida em oração; e – no contexto próximo da nossa perícope – o da casa de Maria, mãe de João chamado Marcos, a cuja porta foi bater Pedro depois de ter sido libertado.

E vemos que a principal via de saída dos fechamentos é a oração: via de saída para a comunidade, que corre o risco de se fechar em si mesma por causa da perseguição e do medo; via de saída para Pedro que, já no início da missão que o Senhor lhe confiara, é lançado na prisão por Herodes e corre o risco de ser condenado à morte. E enquanto Pedro estava na prisão, «a Igreja orava a Deus, instantemente, por ele» (At 12, 5). E o Senhor responde à oração com o envio do seu anjo para o libertar, «arrancando-o das mãos de Herodes» (cf. v. 11). A oração, como humilde entrega a Deus e à sua santa vontade, é sempre a via de saída dos nossos fechamentos pessoais e comunitários. É a grande via de saída dos fechamentos.

O próprio Paulo, ao escrever a Timóteo, fala da sua experiência de libertação, de saída do perigo de ser ele também condenado à morte; mas o Senhor esteve ao seu lado e deu-lhe força para poder levar a bom termo a sua obra de evangelização dos gentios (cf. 2 Tm 4, 17). Entretanto Paulo fala duma «abertura» muito maior, para um horizonte infinitamente mais amplo: o da vida eterna, que o espera depois de ter concluído a «corrida» terrena. Assim é belo ver a vida do Apóstolo toda «em saída» por causa do Evangelho: toda projetada para a frente, primeiro, para levar Cristo àqueles que não O conhecem e, depois, para se lançar, por assim dizer, nos seus braços e ser levado por Ele «a salvo para o seu Reino celeste» (v. 18).

Mas voltemos a Pedro… A narração evangélica (Mt 16, 13-19) da sua confissão de fé e consequente missão a ele confiada por Jesus mostra-nos que a vida do pescador galileu Simão – como a vida de cada um de nós – se abre, desabrocha plenamente quando acolhe, de Deus Pai, a graça da fé. E Simão põe-se a caminhar – um caminho longo e duro – que o levará a sair de si mesmo, das suas seguranças humanas, sobretudo do seu orgulho misturado com uma certa coragem e altruísmo generoso. Decisiva neste seu percurso de libertação é a oração de Jesus: «Eu roguei por ti [Simão], para que a tua fé não desapareça» (Lc 22, 32). E igualmente decisivo é o olhar cheio de compaixão do Senhor depois que Pedro O negou três vezes: um olhar que toca o coração e liberta as lágrimas do arrependimento (cf. Lc 22, 61-62). Então Simão Pedro foi liberto da prisão do seu eu orgulhoso, do seu eu medroso, e superou a tentação de se fechar à chamada de Jesus para O seguir no caminho da cruz.

Como já aludi, no contexto próximo da passagem lida dos Atos dos Apóstolos, há um detalhe que pode fazer-nos bem considerar (cf. 12, 12-17). Quando Pedro, miraculosamente liberto, se vê fora da prisão de Herodes, vai ter à casa da mãe de João chamado Marcos. Bate à porta e, de dentro, vem atender uma empregada chamada Rode, que, tendo reconhecido a voz de Pedro, em vez de abrir a porta, incrédula e conjuntamente cheia de alegria corre a informar a patroa. A narração, que pode parecer cômica – e pode ter dado início ao chamado «complexo de Rode» –, deixa intuir o clima de medo em que estava a comunidade cristã, fechada em casa e fechada também às surpresas de Deus. Pedro bate à porta. – «Vai ver quem é!» Há alegria, há medo… «Abrimos ou não?» Entretanto ele corre perigo, porque a polícia pode prendê-lo. Mas o medo paralisa-nos, sempre nos paralisa; fecha-nos, fecha-nos às surpresas de Deus. Este detalhe fala-nos duma tentação que sempre existe na Igreja: a tentação de fechar-se em si mesma, à vista dos perigos. Mas mesmo aqui há uma brecha por onde pode passar a ação de Deus: Lucas diz que, naquela casa, «numerosos fiéis estavam reunidos a orar» (v. 12). A oração permite que a graça abra uma via de saída: do fechamento à abertura, do medo à coragem, da tristeza à alegria. E podemos acrescentar: da divisão à unidade. Sim, digamo-lo hoje com confiança, juntamente com os nossos irmãos da Delegação enviada pelo amado Patriarca Ecumênico Bartolomeu para participar na festa dos Santos Padroeiros de Roma. Uma festa de comunhão para toda a Igreja, como põe em evidência também a presença dos Arcebispos Metropolitas que vieram para a bênção dos Pálios, que lhes serão impostos pelos meus Representantes nas respetivas Sedes.

Os Santos Pedro e Paulo intercedam por nós para podermos realizar com alegria este caminho, experimentar a ação libertadora de Deus e a todos dar testemunho dela.

 

Fonte:www.franciscanos.org.br

Segunda, 27 Junho 2016 15:42

Porque você quer saber?

“Quando alguém perguntar algo que você não quer responder, sorria e pergunte: por que você quer saber?” (Dalai Lama).

 

Veja que a questão retorna para quem pergunta! Assim você devolve ao outro a mesma energia que ele te lançou.

Ou seja, você interroga pelos motivos pelos quais se pergunta. Isso talvez já seja suficiente para desarmar a pessoa.

Os gregos geraram muitos filósofos por terem, culturalmente, a capacidade da dúvida e do questionamento.

 

Isso também ajuda quando vem o desejo de levar uma conversa adiante acerca de uma pessoa.

Faz bem a questão para dentro (si mesmo): isso é positivo ou verdadeiro? Isso vai causar algum efeito positivo para a pessoa?

Ou ainda: o que estou ganhando levando essa conversa pra frente? Penso que essas peneiras sejam suficientes para se evitar o mal da discórdia...

 

Tenha uma ótima e abençoada semana!

Frei Paulo Sérgio, ofm

Sexta, 24 Junho 2016 15:58

O Compromisso que nos faz livres

Jesus tomou a firme decisão de partir para Jerusalém (Lc 9,51). Ele sabia o que lhe esperava e por isso precisou de firmeza para seguir em frente com sua missão. Sem esta firmeza certamente iria recuar diante das primeiras dificuldades como, por exemplo, a não acolhida dos samaritanos. Se não estivesse firme em seu propósito, Jesus cederia à tentação proposta por Tiago e João de resolver aquela contrariedade à base da força e do poder, dizimando aqueles que se negaram a acolher o Filho de Deus. No entanto, livre e firme em seu propósito, Jesus passou adiante, sem se lamentar.

A firmeza do Mestre lhe conferia liberdade, aquela a que São Paulo se refere quando diz: “É para liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1). Liberdade que se traduz em desapego da parte de quem não tem onde repousar a cabeça (Lc 9,58). E de fato não teve. Na cruz, o Mestre ficou com a cabeça pendida, sem poder sequer recostá-la no madeiro, impedido pela coroa de espinhos que lhe feria a carne e penetrava-lhe o crânio. Sem firme decisão, esta entrega não aconteceria. Jesus foi muito firme para ser totalmente livre.

É a esta firmeza que Jesus nos chama. A firmeza de quem coloca a mão no arado e segue em frente, ainda que o esforço tenha de ser grande. Na lógica de Jesus, só se liberta de verdade quem se compromete por inteiro com o projeto do Reino que Ele veio anunciar. No entanto, Deus é paciente e misericordioso. Conhece profundamente nosso coração e sabe de nossas fraquezas e instabilidades. O mais importante é não perdermos de vista a firmeza e o comprometimento do Mestre, mesmo nos trancos e barrancos de nossa frágil existência. E, assim, na medida em que conseguirmos cada vez mais nos comprometer com Ele, mais livres, felizes e completos seremos.

 

Fonte: www.franciscanos.org.br

Sexta, 24 Junho 2016 13:06

Estações

“Se não tivéssemos inverno, a primavera não seria tão agradável: se não experimentássemos algumas vezes o sabor da adversidade, a prosperidade não seria tão bem-vinda” (Anne Bradstreet).

 

Estações que mudam, outono que se foi e inverno acontecendo... Tempo de recolhimento,

de permitir que os ventos levem aquilo que não precisa mais ficar, de permitir que aquilo que secou ser carregado para longe,

criando outras vidas, trazendo novas esperanças e novas possibilidades!

 

O inverno nos convida celebrar as amizades em torno das lareiras ou das fogueiras.

Tempo de saborear o recolhimento com um gostoso vinho, regado com boas conversas...

Tempo de reatar laços e de ir ao encontro de pessoas que foram ficando no decorrer do tempo...

Que haja alegria e disposição dentro de ti e muita vontade de renascer nos primeiros sinais de primavera!

 

Tenha um ótimo fim de semana!

Frei Paulo Sérgio, ofm

Sexta, 24 Junho 2016 10:34

Natividade de São João Batista

Com muita alegria, a Igreja, solenemente, celebra o nascimento de São João Batista. Santo que, juntamente com a Santíssima Virgem Maria, é o único a ter o aniversário natalício recordado pela liturgia.

São João Batista nasceu seis meses antes de Jesus Cristo, seu primo, e foi um anjo quem revelou seu nome ao seu pai, Zacarias, que há muitos anos rezava com sua esposa para terem um filho. Estudiosos mostram que possivelmente depois de idade adequada, João teria participado da vida monástica de uma comunidade rigorista, na qual, à beira do Rio Jordão ou Mar Morto, vivia em profunda penitência e oração.

Pode-se chegar a essa conclusão a partir do texto de Mateus: “João usava um traje de pelo de camelo, com um cinto de couro à volta dos rins; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre”. O que o tornou tão importante para a história do Cristianismo é que, além de ser o último profeta a anunciar o Messias, foi ele quem preparou o caminho do Senhor com pregações conclamando os fiéis à mudança de vida e ao batismo de penitência (por isso “Batista”).

Como nos ensinam as Sagradas Escrituras: “Eu vos batizo na água, em vista da conversão; mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu: eu não sou digno de tirar-lhe as sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo”(Mateus 3,11).

Os Evangelhos nos revelam a inauguração da missão salvífica de Jesus a partir do batismo recebido pelas mãos do precursor João e da manifestação da Trindade Santa. São João, ao reconhecer e apresentar Jesus como o Cristo, continuou sua missão em sentido descendente, a fim de que somente o Messias aparecesse.

Grande anunciador do Reino e denunciador dos pecados, ele foi preso por não concordar com as atitudes pecaminosas de Herodes, acabando decapitado devido ao ódio de Herodíades, que fora esposa do irmão deste [Herodes], com a qual este vivia pecaminosamente.

O grande santo morreu na santidade e reconhecido pelo próprio Cristo: “Em verdade eu vos digo, dentre os que nasceram de mulher, não surgiu ninguém maior que João , o Batista” (Mateus 11,11).

São João Batista, rogai por nós!

 A catequese do Papa nesta quarta-feira (22/06) foi centrada no texto evangélico de Lucas que narra o milagre da cura do leproso. Cerca de 20 mil pessoas encheram a Praça São Pedro para a audiência semanal, quando Francisco se encontra de perto com fiéis, peregrinos, turistas e romanos. Antes de tomar posição, o Pontífice deu a habitual volta pela praça com o Papamóvel, cumprimentando e sorrindo para todos.

A lepra, naquela época, era considerada uma maldição, uma impuridade; e portanto, o leproso tinha que ficar afastado, longe do templo, de Deus e dos homens. Na narração de Lucas, o leproso não aceita estas leis, as desrespeita e entra na cidade, procurando Jesus.

“Ao ver Jesus, ele caiu com o rosto em terra e suplicou-lhe: “Senhor, se queres, tens o poder de purificar­-me”. Descrevendo o episódio, Francisco explicou que com este gesto, o homem reconhece o poder de Jesus. E a sua fé dizia que Jesus podia curá-lo. Esta súplica mostra que com Jesus, são suficientes poucas palavras, mas acompanhadas pela confiança em sua onipotência e bondade. “Entregar-nos à vontade de Deus significa confiar em sua infinita misericórdia”.

O Papa, improvisando, revelou aos presentes que antes de dormir, reza 5 Pai-nosso, pensando nas chagas de Jesus, e pede que o purifique.

Quando o leproso pede a purificação, Jesus faz algo inconcebível: estende a mão e toca o leproso. O Papa fez então uma comparação conosco, nos dias de hoje: “Quantas vezes encontramos um pobre e, mesmo sendo generosos e sentindo compaixão, não o tocamos. Oferecemos uma moeda, mas evitamos tocar sua mão. Esquecemos que aquele é o corpo de Cristo! Jesus nos ensina a não ter medo de tocar o pobre e o excluído, porque Ele está neles. Tocar o pobre pode nos purificar da hipocrisia e nos preocupar por sua exclusão”.

Improvisando novamente, Francisco apresentou alguns jovens que subiram com ele à tribuna de onde profere a catequese: “Muitos pensam que seria melhor que eles tivessem permanecido em suas terras… mas ali eles estavam sofrendo. São os nossos refugiados, mas muitos os consideram excluídos. Por favor, eles são nossos irmãos!”

Enfim, depois de curar o leproso, Jesus recomendou que não o contasse para ninguém: “Mostra-te ao sacerdote e apresenta por tua purificação a oferenda prescrita por Moisés. Isso lhes servirá de testemunho”. Para o Pontífice, esta ordem demonstra três coisas. A primeira é que a graça do Senhor não quer sensacionalismo; age com discrição e sem clamor. A segunda é que ao apresentar oficialmente a sua cura e celebrar um sacrifício, o leproso foi readmitido na comunidade e na vida social. A sua reintegração completa a cura. E enfim, apresentando-se aos sacerdotes, o leproso dá testemunho do poder e da compaixão de Jesus. A fé do homem se abre à missão. “Ele era um excluído e se tornou um de nós”.

O Papa concluiu convidando os fiéis a acreditarem: “Mas pensemos em nós, nas nossas misérias… com sinceridade. Quantas vezes as cobrimos com a hipocrisia das ‘boas maneiras’. É precisamente então que é preciso estar a sós, ajoelharmo-nos diante de Deus e rezar: ‘Senhor, se quiseres, podes purificar-me!’”.