Raphael

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A Igreja nunca seja um comércio, pois a redenção de Cristo é gratuita. Esta foi a mensagem de hoje do Papa Francisco na missa em Santa Marta, na Festa Litúrgica da Apresentação da Virgem Santa Maria no Templo.

Na sua breve reflexão, o Papa sublinhou a Liturgia de hoje que propõe a passagem evangélica na qual Jesus expulsa os vendilhões do Templo, que transformam a casa de oração em covil de ladrões. Este gesto de Jesus é um verdadeiro ato de purificação: o Templo tinha sido profanado e, como tal, também o Povo de Deus, profanado com o grande pecado do escândalo. E o Papa acrescentou que este tipo de comportamento pode escandalizar o povo, mesmo hoje em dia. Quantas vezes, ao entrarmos na igreja, deparamos com uma lista de preços: batizados, bênçãos, intenções de Missa afirmou o Santo Padre que contou uma pequena história.

"Uma vez, recentemente ordenado, eu estava com um grupo de universitários, e um casal queria se casar. Tinham ido a uma paróquia: mas queria casar-se com Missa. E lá, o secretário paroquial disse: – ‘Não é possível’. Mas porque não se pode casar com Missa? Se o Concílio recomenda fazer sempre com a Missa…’. ‘Não é possível porque não podemos passar de 20 minutos’. – ‘Mas por quê’? – ‘Porque tem outros horários marcados’. – ‘Mas nós queremos a Missa’. – ‘Então vocês devem pagar dois horários’. E para casar com Missa tiveram que pagar dois horários. Este é um pecado de escândalo".

O Papa Francisco recordou ainda: “Sabemos o que Jesus diz àqueles que são motivo de escândalo: “É melhor que sejam atirados ao mar”.

"Quando aqueles que estão no Templo – sejam sacerdotes, leigos, secretário, mas que precisam administrar a Pastoral do Templo – transformam-se em homens de negócio, o povo se escandaliza. E nós somos responsáveis por isto. Os leigos, inclusive! Todos. Porque se vejo que isso acontece na minha paróquia, devo ter a coragem de dizer isso cara a cara ao pároco. E as pessoas sofrem aquele escândalo. É curioso: o povo de Deus sabe perdoar os seus sacerdotes que apresentam alguma fraqueza, que escorregam num pecado… sabe perdoar. Mas são duas as coisas que o povo de Deus não pode perdoar: um padre apegado ao dinheiro e um padre que maltrata as pessoas.”

 “Porque a redenção é gratuita; Ele vem trazer a gratuidade de Deus, a gratuidade total do amor de Deus. E quando a Igreja ou as Igrejas se tornam comércio, diz-se que …, não é tão gratuita, a salvação… É por isso que Jesus pega o chicote na mão para fazer este rito de purificação no Templo. Hoje a liturgia celebra a Apresentação de Nossa Senhora no Templo: da menina… Uma mulher simples, como Ana que está naquele momento, e entra Nossa Senhora. Que ela ensine a todos nós, a todos os pastores, a todos aqueles que têm responsabilidades pastorais, a manter limpo o Templo, para receber com amor os que vêm, como se cada um deles fosse Nossa Senhora". 

Terça, 31 Janeiro 2017 12:56

Escala de Missas de Fevereiro

Estimados,

Segue escala de missas do mês de fevereiro.

 

Segunda, 30 Janeiro 2017 16:51

Sorte

Sexta, 27 Janeiro 2017 12:54

Paz..

“O segredo para viver em paz com todos consiste na arte de compreender cada um segundo a sua individualidade” (Friedrich Ludwig).

 

A cultura, a educação e o desenvolvimento social ajudam um povo a lutar com as palavras, em vez de o fazer com as armas. Porém, a PAZ é um dom de DEUS que precisa ser cultivado dentro de cada pessoa. A PAZ não está fora, mas dentro de cada um de nós, pois ela é ação do Espírito Santo.

 

Aquilo que se obtém com violência só se pode conservar pela violência. A PAZ não se impõe com a força das armas ou pela guerra. Fazer 'guerra santa' é a coisa mais absurda que se pode imaginar. Deus não precisa e nem quer guerras em Seu nome, pois Ele é Pai de todos (as), mesmo que seja chamado por muitos nomes diferentes...

 

Tenha um excelente fim de semana,

Frei Paulo Sérgio, ofm

Vaticano, 23 Jan. 17 / 08:30 am (ACI).- Durante a homilia da Missa na Casa Santa Marta de hoje, o Papa Francisco refletiu sobre o sacerdócio de Cristo e assegurou que a pessoa que blasfema está fechada ao perdão de Deus.

Francisco recordou que, enquanto os sacerdotes da Antiga Aliança tinham que oferecer a cada ano sacrifícios, “Cristo ofereceu a si mesmo, uma vez por todas, pelo perdão dos pecados”. Assim, “nos levou ao Pai”, “recriou a harmonia da criação”.

O Papa também recordou que Jesus “reza por nós”. “Enquanto nós rezamos aqui, Ele reza por cada um de nós”.

“Quantas vezes, de fato, se pede aos sacerdotes que rezem porque sabemos que a oração do sacerdote tem certa força, justamente no sacrifício da Missa”, assinalou. Outra “maravilha” é quando Cristo regressar para “fazer o Reino definitivo”.

“Há esta grande maravilha, este sacerdócio de Jesus em três etapas: quando perdoa os pecados uma vez por todas; quando intercede agora por nós; e quando Ele voltar”.

“Nós sabemos – continuou – que o Senhor perdoa tudo se abrirmos um pouco o coração. Tudo! Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado eternamente”.

Neste sentido, o Papa explicou que a “blasfêmia é imperdoável”. “Jesus como Sumo Sacerdote recebeu esta unção. E qual foi a primeira unção? A carne de Maria com a obra do Espírito Santo. E quem blasfema contra isto, blasfema o fundamento do amor de Deus, que é a redenção, a re-criação; blasfema contra o sacerdócio de Cristo. ‘Mas como é ruim o Senhor, não perdoa?’ – ‘Não! O Senhor perdoa tudo! Mas quem diz essas coisas está fechado ao perdão. Não quer ser perdoado! Não se deixa perdoar!’”.

“Este é o aspecto negativo da blasfêmia contra o Espírito Santo: não deixar-se perdoar, porque renega a unção sacerdotal de Jesus, que fez o Espírito Santo”. E “não porque o Senhor não queira perdoar tudo, mas porque esta pessoa está tão fechada que não se deixa perdoar: a blasfêmia contra esta maravilha de Jesus”.

Por fim, o Pontífice manifestou: “Hoje nos fará bem, durante a Missa, pensar que aqui sobre o altar se faz a memória viva, porque Ele estará presente ali, do primeiro sacerdócio de Jesus, quando oferece a sua vida por nós;  há também a memória viva do segundo sacerdócio, porque Ele rezará aqui; mas também, nesta Missa – o diremos depois do Pai-Nosso – há aquele terceiro sacerdócio de Jesus, quando Ele voltará e a nossa esperança da glória”.

“Peçamos a graça ao Senhor de que o nosso coração jamais se feche – jamais se feche! – a esta maravilha, a esta grande gratuidade”, concluiu.

Vaticano, 18 Jan. 17 / 11:30 am (ACI).- Na nova catequese que o Papa Francisco pronunciou durante a Audiência Geral desta quarta-feira, falou da relação entre a esperança e a oração e citou o exemplo da história do profeta Jonas.

“Muito facilmente nós desdenhamos o dirigir-se a Deus na necessidade como se fosse apenas uma oração interessada, e por isso imperfeita. Mas Deus conhece a nossa fraqueza, sabe que nos recordamos Dele para pedir ajuda, e com o sorriso indulgente de um pai, Deus responde com benevolência”, afirmou o Pontífice.

A seguir, a catequese completa do Papa:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Na Sagrada Escritura, entre os profetas de Israel, aparece uma figura um pouco anormal, um profeta que tenta escapar do chamado do Senhor rejeitando colocar-se a serviço do plano divino da salvação. Trata-se do profeta Jonas, de quem se narra a história em um pequeno livro de apenas quatro capítulos, uma espécie de parábola portadora de um grande ensinamento, aquele da misericórdia de Deus que perdoa.

Jonas é um profeta “em saída” e também um profeta em fuga! É um profeta em saída que Deus envia “à periferia”, em Nínive, para converter os moradores daquela grande cidade. Mas Nínive, para um israelita como Jonas, representava uma realidade ameaçadora, o inimigo que colocava em perigo a própria Jerusalém e, portanto, a destruir, não a salvar. Por isso, quando Deus manda Jonas para rezar naquela cidade, o profeta, que conhece a bondade do Senhor e o seu desejo de perdoar, procura escapar da sua tarefa e foge.

Durante a sua fuga, o profeta entra em contato com alguns pagãos, os marinheiros do navio no qual ele embarcou para se afastar de Deus e da sua missão. E foge para longe, porque Nínive ficava na região do Iraque e ele foge para a Espanha, foge sério. E é justamente o comportamento daqueles homens pagãos, como depois será dos moradores de Nínive, que nos permite hoje refletir um pouco sobre esperança que, diante do perigo e da morte, se exprime em oração.

De fato, durante a travessia do mar, surge uma tremenda tempestade, e Jonas desce para o porão do navio e se abandona ao sono. Os marinheiros, em vez disso, vendo-se perdidos, “invocaram cada um o próprio deus”: eram pagãos (Jon 1, 5). O capitão do navio acorda Jonas dizendo-lhe: “O que fazes dormindo? Levanta-te, invoca o teu Deus! Talvez Deus vai pensar em nós e não pereceremos” (Jon 1, 6).

A reação destes “pagãos” é a justa reação diante da morte, diante do perigo; porque é então que o homem faz completa experiência da própria fragilidade e da própria necessidade de salvação. O instintivo horror de morrer desperta a necessidade de esperar no Deus da vida. “Talvez Deus pensará em nós e não pereceremos”: são as palavras da esperança que se torna oração, aquela súplica cheia de angústia que sai dos lábios do homem diante de um iminente perigo de morte.

Muito facilmente nós desdenhamos o dirigir-se a Deus na necessidade como se fosse apenas uma oração interessada, e por isso imperfeita. Mas Deus conhece a nossa fraqueza, sabe que nos recordamos Dele para pedir ajuda, e com o sorriso indulgente de um pai, Deus responde com benevolência.

Quando Jonas, reconhecendo as próprias responsabilidades, se joga ao mar para salvar os seus companheiros de viagem, a tempestade se acalma. A morte iminente levou aqueles homens pagãos à oração, fez com que o profeta, apesar de tudo, vivesse a própria vocação a serviço dos outros aceitando sacrificar-se por eles, e agora conduz os sobreviventes ao reconhecimento do verdadeiro Senhor e ao louvor. Os marinheiros, que tinham rezado com medo dirigindo-se aos seus deuses, agora, com sincero temor do Senhor, reconhecem o verdadeiro Deus e oferecem sacrifícios e votos. A esperança que os tinha induzido a rezar para não morrer, se revela ainda mais poderosa e trabalha uma realidade que vai também além do que eles esperavam: não somente não perecem na tempestade, mas se abrem ao reconhecimento do verdadeiro e único Senhor do céu e da terra.

Sucessivamente, também os moradores de Nínive, diante da perspectiva de serem destruídos, rezarão, movidos pela esperança no perdão de Deus. Farão penitência, invocarão o Senhor e se converterão a Ele, a começar pelo rei que, como o capitão do navio, dá voz à esperança dizendo: “Quem sabe Deus se arrependerá […] e deixará de nos perder!” (Jon 3, 9). Também para eles, como para a tripulação na tempestade, ter enfrentado a morte e ter saído salvos os levou à verdade. Assim, sob a misericórdia divina e ainda mais à luz do mistério pascal, a morte pode se tornar, como foi para São Francisco de Assis, “nossa irmã morte” e representar, para cada homem e para cada um de nós, a surpreendente ocasião de conhecer a esperança e de encontrar o Senhor. Que o Senhor nos faça entender essa relação entre oração e esperança. A oração te leva adiante na esperança e quando as coisas se tornam escuras, é preciso mais oração! E haverá mais esperança. Obrigado.

Quarta, 18 Janeiro 2017 11:37

Viva Bem

Segunda, 16 Janeiro 2017 08:57

Viver e fazer o bem

“Embora seja curta a vida que nos é dada pela natureza, é eterna a memória de uma vida bem empregada” (Cícero).

A construção de uma vida está na coragem de aprender as virtudes e os valores que per-fazem uma existência plena de sentido. Fazer o bem e fazer bem as coisas que se nos apresenta deve ser sempre nossa busca, nossa prática. No fazer o bem vamos descobrindo o valor das coisas, das pessoas e o sentido da própria vida. Quem faz o bem, torna-se amante da vida, das pessoas, da natureza... e de Deus que é o esplendor do BEM. A prática do bem gera uma energia fantástica que cria uma ciranda de bondade, amor, fraternidade!

Acredito que a realização da vida humana está na sua capacidade de crescimento, de maturação e de transcendência. Ninguém veio ao mundo por acaso, pois este não existe. Estamos aqui para cumprir uma missão, para transformar o mundo, para deixar pegadas indeléveis na alma e no coração das pessoas. Quando abrimos nossa alma para a luz divina, nossos desejos e esforços serão sempre na prática do BEM e de tudo aquilo que está a ele vinculado. Procure ser uma pessoa boa e não se deixe contaminar que pelo mal que tenta te iludir...

Tenha um abençoado dia e uma produtiva semana!

Frei Paulo Sérgio, ofm

Vaticano, 11 Jan. 17 / 09:00 am (ACI).- Na catequese da Audiência geral desta quarta-feira, o Papa Francisco criticou duramente as “falsas esperanças” que alguns ídolos oferecem e que, “em vez de favorecer a vida, conduzem à morte”.

Novamente, pronunciou uma catequese sobre a esperança cristã e, por isso, ao começar assegurou que “esperar é uma necessidade primária do homem: esperar no futuro, crer na vida, o assim chamado ‘pensar positivo’. Mas, é importante que tal esperança seja colocada naquilo que verdadeiramente pode ajudar a viver e a dar sentido à nossa existência”.

“É por isso que a Sagrada escritura nos chama atenção contra as falsas esperanças que o mundo nos apresenta, desmascarando a sua inutilidade e mostrando a insensatez”.

Francisco assegurou que isso é feito de várias maneiras, entre elas, “denunciando a falsidade dos ídolos, nos quais o homem continuamente é tentado a colocar a sua confiança”.

Assim, às vezes, “o homem experimenta a fragilidade daquela confiança e sente a necessidade de certezas diferentes, de seguranças tangíveis, concretas” e, então, “somos tentados a buscar consolações também efêmeras, que parecem preencher o vazio da solidão e aliviar a fadiga de crer”.

Sobre a confiança, o Papa denunciou que “pensamos poder encontrá-la na segurança que pode dar o dinheiro, nas alianças com os poderosos, na mundanidade, nas falsas ideologias”.

Para explicar melhor, o Pontífice comentou o salmo 115, que denuncia precisamente os falsos ídolos que se oferecem ao homem. Pediu que se entenda que também são ídolos “quando confiamos em realidades limitadas que nós transformamos em absolutas, ou quando reduzimos Deus aos nossos esquemas, às nossas ideias de divindade; um Deus que nos assemelha, compreensível, que pode ser prevista, como os ídolos do qual fala o Salmo”.

“O homem, imagem de Deus, fabrica um Deus a sua própria imagem, e é também uma imagem mal feita: não sente, não age e, sobretudo, não pode falar”.

Além disso, “as ideologias com sua pretensão de absoluto, as riquezas, o poder e o sucesso, a vaidade, com a sua ilusão de eternidade e de poder, valores como a beleza física e a saúde, quando se tornam ídolos aos quais sacrificar todas coisas, são todas realidades que confundem a mente e o coração”.

O Papa assegurou, portanto, que, “quem coloca a esperança nos ídolos se torna como eles: imagens vazias com mãos que não tocam, pés que não caminham, bocas que não podem falar”.

“Não se tem mais nada a dizer, torna-se incapaz de ajudar, de mudas as coisas, incapaz de sorrir, de doar-se de amar”.

Francisco alertou ainda que os católicos não estão isentos “deste risco” quando “nos mudanizamos”. “É preciso permanecer no mundo, mas defender-se das ilusões do mundo”, acrescentou.

Por fim, convidou a confiar no Senhor, porque assim “se torna como Ele, com sua bênção, nos transforma em seus filhos, que compartilham a sua vida”. “A esperança em Deus nos faz entrar, por assim dizer, no raio de ação de sua recordação, de sua memória, que nos abençoa e nos salva”.

Segunda, 09 Janeiro 2017 10:39

Sacrifício: o que significa?

Frei Alberto Beckhäuser, OFM

A Igreja ensina que a Missa é um sacrifício de ação de graças. Mas, o que é sacrifício?

A palavra sacrifício é muito mal entendida ou, então, entendida num sentido muito negativo pela maioria dos cristãos. Para a gente em geral, sacrifício é algo que custa, é renúncia de alguma cosia, algo difícil de fazer. Ou então, parece que exige imolação. Acaba sendo sinônimo de morte, como na expressão “sacrificar um animal”. Sacrificar, então, significa matar.

A palavra sacrifício, no entanto, tem um sentido muito mais amplo e positivo. A palavra sacrifício vem do latim e é composta de duas palavras: sacer e facere. Sacer significa sagrado, divino e facere significa fazer. Sacrifício significa, pois, o que é feito sagrado, divino. E sacrificar significa tornar sagrado, fazer algo divino, tornar algo divino. Orientar algo para Deus.

Quem sacrifica é sacerdote. Sacerdote também tem a ver com sagrado. Sacerdote vem de sacer (sagrado, divino) e dos (dote, dom). Sacerdote é, então, dom sagrado, dom divino. Assim, pela própria criação à imagem e semelhança de Deus, o ser humano é sacerdote: um dom que vem de Deus, que ele recebe de Deus e um dom para Deus. Esta é a sua vocação.

O Antigo Testamento e, sobretudo, os salmos dizem que Deus deseja um sacrifício de ação de graças, um coração contrito e humilhado. Este é o verdadeiro sacrifício espiritual. Deseja que o ser humano acolha a vida como dom de Deus e a ofereça como uma doação a Deus. Diz o salmista que o sacrifício mais agradável a Deus, o mais sublime, é o sacrifício de louvor. Sim, o louvor é sacrifício, pois nele reconhecemos que tudo é de Deus e tudo vem de Deus.

Por que, então, a palavra sacrifício acabou incluindo a conotação de renúncia, de imolação e até de morte? Porque a expressão mais radical da entrega da vida a Deus é reconhecer que ela é mortal. Pelo fato de o ser humano sempre tentar possuir a vida não como dom, mas como um direito e querer apropriar-se dela, a exemplo dos primeiros pais, ele deixa de ser sacerdote, frustra sua vocação divina e cai na morte.

Ora, Jesus Cristo, por seu exemplo, veio convencer a humanidade de sua condição de criatura mortal. Ele a viveu de maneira plena e total como dom do Pai e entregou, ofereceu a sua vida ao Pai na obediência e no amor. Jesus consagrou a sua vida, lançando-a em Deus, reconhecendo que era dom de Deus, entregando-a nas mãos do Pai: Em vossas mãos entrego o meu espírito, minha vida, minha sorte, meu destino. A linguagem do sacrifício de Cristo foi a paixão e a morte, mas o dom, a oferta a Deus foi a entrega de sua vida na obediência e no amor.

Por isso, a Eucaristia é a atualização desta entrega de Cristo ao Pai na ação de graças da Igreja pela sua entrega total. Por isso, a Missa é um sacrifício de ação de graças.

Por ele e nele, os cristãos que reconhecem a vida como dom de Deus no sacramento do Batismo, onde se tornaram sacerdotes, podem viver o seu sacerdócio, no sacerdócio de Cristo. Deixam-se divinizar, morrendo e ressuscitando com Cristo, acolhendo a própria vida como dom de Deus e oferecendo-a com Cristo e em Cristo ao Pai.

Este aspecto da divinização realiza-se também na Comunhão eucarística. Nela reconhecemos que Cristo nos arrebata para dentro de si, que ele nos diviniza e que nós colocamos a nossa sorte, toda a nossa vida Nele. Jesus Cristo nos diviniza, Jesus Cristo nos sacrifica.

No sacramento da Eucaristia isso acontece através do ministério do sacerdote ordenado.

Assim, toda a nossa vida, nosso ser e agir se tornam um sacrifício espiritual, um sacrifício de louvor a Deus, um sacrifício de ação de graças.